Porsche 919 Hybrid LMP1: Antes do Museu, o Inferno Verde
Já se sabe há algum tempo que o destino do Porsche 919 Hybrid será o Museu, mas o carro alemão não irá para a sua ‘última morada’ sem que antes cumpra pelo menos um de dois importantes marcos históricos, bater o recorde de Stefan Bellof no traçado de Nurburgring-Nordschleife e o de Sébastien Loeb em Pikes Peak. Não serão duas tarefas fáceis, face a quão elevada a fasquia está, mas perfeitamente alcançáveis, pois o mundo pula e avança todos os dias. De qualquer forma, há muitas dúvidas que a Porsche avence para o segundo…
Há algum tempo que se falava de eventos de exibição, mas o Porsche 919 hybrid LMP1, vai tentar fazer muito mais do que isso. Este é um carro que permitiu à marca alemã três triunfos em Le Mans, e seis títulos no WEC, entre pilotos e construtores, sendo portanto um bom herdeiro de carros como o 962, 936, 956, ou mesmo o modelo que tudo despoletou, o Porsche 917 KH, vencedor das 24 Horas de Le Mans de 1970 e 1971.
Agora, enquanto não arranca o projeto da Fórmula E (na sexta temporada, em 2019-2020), vai correr com mais carros na GTE Pro em Le Mans e nada mais nada menos que tentar bater o recorde absoluto de Nordschleife, ainda na posse do malogrado Stefan Bellof desde 1983, com um registo de 6m11.13s, obtidos no Porsche 956.
Bem longe do Inferno Verde, a 8.088 Km em linha reta está Pikes Peak, rampa em que Sébastien Loeb cumpriu em 8m13.878s aos comandos de um Peugeot 208 Pikes Peak, em 2013, e se um Porsche 919 hybrid LMP1 poderia perfeitamente bater o registo do piloto francês, a verdade é que a Volkswagen Motorsport já anunciou a sua participação no próximo ano com um protótipo 100% elétrico e isso deverá ser suficiente para tirar a Porsche da equação, pois sendo as marcas no mesmo grupo não faz qualquer sentido ‘canibalizarem-se’. Resta aguardar pelas confirmações oficiais.
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Speedway
14 Dezembro, 2017 at 13:38
Mas a configuração exacta desta pista já não é igual à que o Bellof correu nessa época,ao que julgo saber, pelo que esse objectivo de bater o tempo não é simplesmente possível.
Agora que esse tempo foi muito bom não há duvida. Não só o Bellof era um piloto excepcionalmente rápido ( mesmo demais! Infelizmente), como também, ao contrário do que muita gente pensa, esses carros de grupo C eram rapidíssimos e tinham níveis de downforce que os actuais não chegam. O problema destes carros era que existia uma fórmula de consumo durante as provas que fazia com que em grande parte se andasse a poupar e a fazer contas. Passariam bem dos 1000 cv se tivessem as goelas dos duplos turbos abertas. E note-se que o Porsche 956 era da 1ª geração dos grupos Cs. Os da últimas geração, anos de 1993, apesar de já não terem turbos, eram carros com um desempenho bem próximo dos F1.
Talvez por isso a FIA e o sr Bernie decidiram acabar com eles !
João Pereira
14 Dezembro, 2017 at 14:40
É verdade que o 956 e o seu irmão 962 (pedaleira atrás do eixo dianteiro) tinham um enorme downforce, até porque na altura ainda não era obrigatório o fundo plano, o que permitia mais efeito de solo que hoje em dia, mas também não tinham chassis de carbono (acho que só o carro da Lloyd chegou a ter chassis de carbono, mas não era de fábrica), logo o nível de rigidez era bem inferior aos de hoje em dia. Também duvido que os GrC conseguissem chegar aos 1000cv, nem na versão mais livre do campeonato alemão, a não ser que o objectivo fosse fazer apenas uma volta, e aí sim seria possível, já que os motores dos 935 do campeonato alemão passavam dos alegremente dos 900cv e a diferença entre eles não era grande (umm pouco mais de cilindrada no 935, mas sem o Bosch Motronic). Com respeito a limitações de consumo, estes carros também as têm e bem severas, por isso creio que se a Porsche for honesta vai manter a configuração de corrida no motor do 919.
Quanto ao circuito, é verdade que o Nördschleife está mais curto que na altura, mas pode ser que a Porsche queira fazer a volta longa que inclui o circuito novo, e aí creio que a distancia fica muito idêntica, com uma diferença de apenas poucas centenas de metros, não sei se para mais se para menos, mas também não estou para ir agora pesquisar.
Quanto a Bellof, era de facto um dos pilotos mais geniais que já passaram pela F2, F1 e Protótipos, mas na altura o risco era muito mais elevado que hoje, infelizmente perderam-se muitos grandes talentos, alguns do mesmo calibre dele.
Não percebo porque diz que a FIA e o Sr. Bernie quiseram acabar com os GrC, porque tanto quanto sei, Ecclestone nunca meteu o bedelho nos protótipos em particular, nem nas corridas de resistência em geral, por isso não me parece correcto associá-lo à FIA neste contexto. Deve com certeza estar a fazer alguma confusão com a F1 e o fim da era turbo que ocorreu na mesma altura, ou então terá alguma razão que ignoro para pensar assim.
João Pereira
14 Dezembro, 2017 at 15:24
…a verdade é que a Volkswagen Motorsport já anunciou a sua participação no próximo ano com um protótipo 100% elétrico e isso deverá ser suficiente para tirar a Porsche da equação, pois sendo as marcas no mesmo grupo não faz qualquer sentido ‘canibalizarem-se’…
Não percebo porquê. A Porsche e a Audi estiveram juntas há bem pouco tempo no WEC (lembra-se Sr. Abreu?) e se a Audi saíu, todos sabemos que foi por usar motores diesel, e com o “Dieselgate” e um regulamento pouco favorável aos diesel não fazia sentido continuar, a não ser que passassem a usar motores a gasolina e aí sim com a mesma tecnologia da Porsche, haveria canibalização.
No caso de Pikes Peak, como a VW vai 100% eléctrico, trata-se de uma tecnologia diferente da usada pelo 919, por isso e dada a história recente do Grupo VAG na competição, o facto de comercialmente as duas marcas estarem em extremos opostos no mercado americano (importante para ambas) e mundial, o que nem era bem o caso entre a Audi e a Porsche que têm muitos modelos concorrentes, parece-me pouco razoável por parte do jornalista falar de canibalização, pelo menos da maneira como dá a entender que isso seria um verdadeiro obstáculo para a participação de ambas as marcas na “Corrida das Nuvens”, que nem sequer é uma competição com o impacto do WEC em termos mundiais ou mesmo de América do norte.