Patrick Nève, o primeiro piloto da Williams na F1, faceleceu aos 67 anos. O belga fez parte da era dourado europeia dos meados da década de 1970 e foi considerado por alguns observadores belgas como o sucessor de Jacky Ickx. Apesar disto, a sua nota na história da F1 será para sempre ter sido o primeiro piloto da Williams Grand Prix Engineering – como era chamada na altura. Mas Nève merecia uma carreira maior e mais frutífera na modalidade. Patrick Neve nasceu numa família com boas posses em Liége no ano de 1949. Nève não quis saber dos privilégios que isto lhe podia dar e foi trabalhar para a Jim Russel Racing Drivers’ Scholl, na Grã-Bretanha, onde fez um pouco de tudo até chegar a instrutor. Entre 1970 e 1973 Patrick Nève fez apenas 12 participações na Formula Ford 1600. Em 1974 foi para a Lola com a ajuda de Peter Macintosh, o braço direito de Bernie Ecclestone na Associação de Construtores da F1. Com a Lola, Nève conseguiu o título em disputa.
Em 1975 Nève muda-se para a BP Formula 3, pilotando o Safir desenhado por Ray Jessop, que trabalhou na Brabhan antes de conceber o projeto de Rondel da Fórmula 1 de Ron Dennis (renascido como o Token em 1974). Os outros pilotos usavam motores Toyota enquanto Nève usava um velho Ford, mas impressionou muitos com a sua pilotagem do Safir terminando em quarto do campeonato, com vitória em Knockhill e o segundo lugar no Mónaco. Em 1976 o belga mudou-se para a F1, fazendo a sua estreia na RAM Racing Brabham, uma equipa não competitiva, durante a Corrida dos Campeões em Brands Hatch, antes de participar no Troféu Internacional de Silverstone e no Grande Prémio da Bélgica em Zolder; foi ainda chamado pela Ensign para substituir o lesionado Chris Amon no GP da França. Com Frank Williams a separar-se de Walter Wolf após a época desastrosa de 1976, Williams voltou com a sua nova equipa em 1977, comprando um March, que Williams pensava ter um ano, e recrutando Patrick Nève para o pilotar. O belga tinha acabado de mostrar o seu talento no Troféu Europeu Internacional da Fórmula 2. Pilotando um monolugar de desenvolvimento da March ele conseguiu distanciar-se dos restantes pilotos, incluindo o que seria o vencedor Rene Arnoux, e de alguns talentos como Pironi, Rosberg, Cheever, Patrese e Giacomelli, até que teve de ir à boxe por ter perdido uma roda, terminando em terceiro. A temporada com a Williams foi muito dura, com o melhor resultado de Neve a ser um sétimo lugar no GP de Itália, e terminando várias vezes nos 10 primeiros. O engenheiro Patrick Head revelou mais tarde que quando raspou a tinta do carro a tonalidade laranja mostrou que era um ex-Brambilla de 1975.
Em 1978 ao não conseguir continuar na F1, Patrick Nève fez participações ocasionais na F2, tendo assinado também pela desastrosa Kauhsen para a temporada de 1979 da F1, mas depois de um teste declarou que o monolugar não era pilotável. Nève terminou em terceiro nas 24 horas de Spa em 1978 num BMW 530i e venceu em Zolder em 1977 no Campeonato Europeu de Carros de Turismo com Dieter Quester num Alpina BMW CSL, mostrando ser um piloto eclético. Fez a sua estreia nas 24H de Le Mans em 1980 num BMW M1, fazendo equipa com Manfred Winkelhock e Michael Korten, participando novamente em 1982 com Jeff Wood e Eje Elgh num March 82G Chevrolet. Nàve voltou ao ETCC em 1984, participando a tempo parcial um Volvo 240 Turbo. Nos anos 90 fez correr uma equipa, a Patrick Neve Racing, assim como teve uma empresa de marketing desportivo em Bruxelas. É o segundo piloto histórico que morre nos últimos dias, depois de John Surtees.
Rodrigo Fernandes












