A vida não está fácil para Andreas Mikkelsen! O Volkswagen Polo WRC 2017 está pronto para dar à chave nas instalações da VW MotorSport, mas para que isso aconteça é preciso que as quatro equipas do WRC aceitem que um carro que não participa no Mundial de Ralis a tempo inteiro os possa bater. É esse o único problema que as equipas enfrentam, e se uns até encolhem os ombros, há quem esteja totalmente contra.
Ninguém duvida que se os quatro chefes de equipa do atual WRC, Malcolm Wilson (M-Sport) Michel Nandan (Hyundai), Yves Matton (Citroën) e Tommi Makinen (Toyota) tivessem a certeza que o Polo WRC 2017 “não anda”, pouco lhes importaria se os carros correriam ou não. Mas depois de quatro anos de total domínio, totalmente merecido, porque tiveram bons carros, os melhores pilotos e a melhor equipa, agora, com a sua saída, é a vez doutros brilhar, e haver a ínfima possibilidade de um VW poder redirecionar as luzes da ribalta nesta altura não “cabe na cabeça” de pelo menos três deles, se bem que um deles não tenha sequer dito “Nim”.
Para a Volkswagen homologar o seu World Rally Car de 2017 só é preciso alguma burocracia, que demora minutos, portanto, por aí está tudo tratado, mas a FIA obriga a que esta exceção de participar em algumas provas do Campeonato (neste momento já não poderia ser em todas) é que os quatro Construtores atuais concordem, e isso dificilmente irá acontecer.
Do lado da Citroën, Yves Matton diz que “Somos favoráveis à participação de carros adicionais no WRC mas é importante que respeitem alguns constrangimentos e o assunto seja justo para todas as equipas envolvidas. A FIA terá de garantir essa situação”. Palavras bonitas, mas que se devem ler nas entrelinhas. Nós ‘traduzimos’. “Por nós podem correr, mas não podem pontuar nem nos pilotos, e muito menos nos Construtores, e até era melhor que não aparecessem na classificação e que não nos tirem espaço na TV”. Basicamente, fiquem onde estão, na oficina.
Do lado da M-Sport, se não tens nada bom para dizer, nada digas. Malcolm Wilson não se mostrou disponível, sequer, para comentar. Do lado da Hyundai, Michel Nandan mete com toda a força o dedo na ferida e diz o que Matton não quis dizer: “Os Construtores têm que se comprometer para todo o WRC e se a VW quer entrar apenas em algumas provas, os pilotos vão retirar pontos aos outros, mesmo que nos Construtores não pontuem. O ano passado, a Volkswagen insurgiu-se contra o facto da Citroën poder fazer alguns ralis (ndr, e venceu dois, dos mais importantes, Portugal e Finlândia) e agora estão a pedir o mesmo que recusaram aceitar o ano passado!” Do lado da Toyota, Tommi Makinen disse à FIA que por eles tudo bem, a VW pode correr em alguns ralis…
Como se percebe, ou a FIA dá algo em troca às restantes equipas, retirando o máximo de protagonismo aos VW, nos ralis em que participem, e por muito que façam a FIA não manda na imprensa e qualquer colega nosso num qualquer rali se lá estiver o Zé Azevedo e o Rui Cabeda ao lado do Mikkelsen, nós vamos querer saber muita coisa e vamos deixar os carros dos Senhores Matton, Nandan, Makinen e Wilson a falar sozinhos um pouco mais. É inevitável! Portanto, o melhor mesmo é o Mikkelsen esperar sentado, e os VW começarem já a vender uns bilhetes para o Museu, pelo menos até ao próximo ano, quando Nasser al-Attiyah e o Qatar meterem de pé uma equipa que participe em todas as provas. Mas depois, já vão levar um ano de atraso. Tendo em conta os argumentos apresentados, há alguém que possa achar que Nandan, Matton e Wilson não estão a agir bem? Estão, pois defendem as suas cores, o resto não é problema deles. Era bom para os adeptos, sim Senhor, mas a este nível isso é um problema menor para os Construtores que lá ‘metem’ o seu dinheirinho…
Martin Holmes/JLA











