Eric Boullier sente-se melindrado. A chegada de Jost Capito tem causado algum burburinho em redor da McLaren e o francês quer garantir que o trabalho até agora por si realizado não cai no esquecimento. A entrada do antigo diretor desportivo da Volkswagen na equipa de Woking centralizou as atenções no dirigente alemão, que afinal já não vai ter uma posição equiparável à de Boullier no organismo, e sim ser o chefe deste como diretor da McLaren Racing – posição assumida por Ron Dennis, em conjunto com o cargo de CEO do Grupo, quando Martin Whitmarsh foi ‘convidado’ a sair da equipa.
“Capito está aqui como observador, por isso não leva a roupa oficial, mas iniciará as suas funções dentro em breve. É uma questão de dias. Vai ser o CEO da McLaren Racing,”, confirmou Boullier na conferência de imprensa que decorreu no circuito belga, informação que o próprio Capito já tinha avançado.
Uma mudança que não parece ter caído bem aos olhos do francês, como ressalvou numa entrevista recente ao Motosport, enaltecendo o seu trabalho na McLaren:
“A chave, penso, era trazer de novo a componente ‘racing’ para dentro da equipa. Foi a primeira coisa que mudei quando me juntei à McLaren, e o Peter Prodromou esteve de acordo comigo nesse aspeto – mudar a filosofia, mas definir uma abordagem ganhadora que possa ser desenvolvida ao longo de vários anos, como fizeram a Mercedes e a Red Bull. Daí partirmos de uma folha branca há um ano, com um novo carro e um novo fornecedor de motores. Era aí que se encontrava o desafio”.
O francês acredita que esta nova organização permitu à equipa melhorar em todas as corridas e criar um ambiente especial no seio da estrutura: “Evoluímos em cada prova. Os novos métodos de desenvolvimento são para trazer evoluções em cada corrida e utilizar as anterior atualizações como reserva. É a única forma de recuperarmos terreno. Creio que o novo carro tem um ambiente e ética de trabalho muito bons. Todos sentem-se frustrados por não verem os resultados em pista, mas agora já se consegue ver o progresso. Isso significa que estamos a fazer melhor do que os outros, e essa é a melhor recompensa que poderíamos dar a todos os que trabalham na McLaren. Agora é apenas uma questão de tempo. O impulso e motivação chegou à Honda e agora é tempo de esperar, comprovar em pista as melhorias e desfrutar. Ainda temos tokens que podemos utilizar este ano e iremos aplicá-los com apenas um propósito, aproximar-nos das equipas da frente. Ao mesmo tempo há trabalho para fazer para 2017 e creio que temos tecnologia que podemos utilizar no motor do próximo ano que nos podem permitir um passo em frente”, concluiu.











