Como equipa vencedora do ano passado, a Porsche é a grande favorita à vitória. O 919 Hybrid mantém a estrutura básica, pois já corria na categoria de 8 MJ, que exige maior eficiência energética no consumo de combustível. O motor 2.0 V4 turbo continua ligado a um sistema de recuperação de energia cinética, que transmite energia para as rodas da frente. No campo da aerodinâmica, a Porsche decidiu pelo primeiro ano construir pacotes aerodinâmicos completamente diferentes para as provas regulares do campeonato e para Le Mans, desta vez reduzindo ao mínimo possível a carga aerodinâmica para as retas da pista francesa. A Porsche já teve uma vitória com o seu carro nº 2, em Silverstone, mas apenas depois do nº 1 ter tido um acidente quando estava no comando, e da desclassificação do Audi que cortou a meta em primeiro. Em Spa, os dois carros tiveram problemas, um com uma avaria na caixa de velocidades e o outro com falta de potência. Por isso, o carro de Marc Lieb, Neel Jani e Romain Dumas está no comando do campeonato, enquanto Brendon Hartley, Mark Webber e Timo Bernhard têm muito terreno para recuperar.
A Audi mantém o nome R18 para o seu sport-protótipo, mas o seu carro quase não tem nada a ver com o do ano passado. Em particular, o antigo volante-motor de recuperação de energia dá lugar a um sistema de baterias de iões de lítio, tal como qualquer híbrido de estrada. Mas como este sistema, que é mais eficiente em termos de produção de energia, é bastante mais pesado, a Audi teve que redesenhar completamente o carro, de modo a fazer uma correta distribuição de peso. O R18 passa agora para a categoria de 6 MJ de energia por volta, juntando as baterias ao motor 4.0 V6 TDI, com o sistema a atuar sobre as quatro rodas. Tal como a Porsche, a Audi mantém as mesmas equipas de pilotos para 2016. Marcel Fässler, André Lotterer e Benoit Tréluyer, o ‘trio maravilha’ da Audi, é a equipa no ativo com mais triunfos na prova, três, em 2011, 2012 e 2014, e vão tentar vencer novamente. Esta equipa ganhou em Silverstone mas foi declassificada por excesso de desgaste do patim do fundo plano. O carro de Lucas di Grassi, Oliver Jarvis e Loïc Duval ganhou em Spa, depois de ter tido problemas com o sistema híbrido em Silverstone, enquanto o outro carro teve que parar várias vezes nas boxes para substituir peças danificadas na carroçaria.
De todas as equipas da classe LMP1, a que fez mais mudanças é a Toyota. A marca japonesa ‘deitou fora’ o TS040 e substituiu-o pelo TS050, um carro completamente novo, que viu o anterior V8 atmosférico dar lugar a um novo 2.4 V6 biturbo, e o sistema de recuperação de energia foi substituído por uma nova bateria de iões de lítio, indo de encontro à tecnologia usada pelos carros de estrada. Isto permitiu à renomeada Toyota Gazoo Racing passar para a categoria de 8 MJ de energia por volta. A Toyota recuperou dois segundos por volta em Le Mans em relação ao carro anterior, mas ainda está a cerca de dois segundos por volta da concorrência. A Toyota é a única equipa que teve alterações de pilotos, com Alexander Wurz a retirar-se da competição e Kamui Kobayashi a ser promovido à equipa principal, juntando-se a Mike Conway e Stéphane Sarrazin, e conseguindo um pódio na primeira corrida, mas apenas depois da desclassificação do Audi. O outro carro, com Anthony Davidson, Sébastien Buemi e Kazuki Nakajima, podia ter ido ao pódio, pois estava mais competitivo, mas perdeu muito tempo com um furo. Em Spa, ambos os carros tiveram problemas de motor, apenas um chegando ao fim.













