Numa altura em que a Fórmula 1 está parada por completo, ainda há pouco realizámos um artigo onde é referido que a FIA tem as fábricas das equipas sob controlo e nenhum empregado ou trabalhador pode lá entrar, sendo que até as trocas de e-mail são proibidas. Mas afinal como a FIA controla essa situação?
Vamos dar com exemplo o túnel de vento da Mercedes, que o AutoSport visitou há algumas semanas. As regras da F1 em 2014 sofreram uma enorme mudança e entre elas também o trabalho no túnel de vento e a utilização de sistemas CFD (Computational Fluid Dynamics), com os limites de utilização reduzidos quase a um terço. Resumidamente, às equipas é apenas permitida uma utilização regulada do túnel de vento, definida em horas de utilização das ventoinhas acima de uma determinada velocidade, enquanto o CFD é medido através de quantidade de teraflops de informação gerada no processamento de um modelo.
As regras anteriores permitiam 60 horas de túnel de vento e 40 teraflops, que passaram para 30 horas e 30 teraflops, portanto muito menos tempo. A FIA obriga a permanente gravação, sendo registadas imagens dos ecrãs de dados a cada minuto. De referir por exemplo que o funcionamento do túnel de vento com o monolugar sem asas não é contabilizado, cada computador utilizado na gestão do sistema é nomeado, de modo a que a informação possa ser analisada. Quando passámos no túnel de vento, o ecrã registava 24h00.68s de ‘fan time’, sendo que só uma ínfima parte desse tempo conta para o ‘totobola’ da FIA.
A fotografia que se vê a ilustrar este artigo foi-nos fornecida pela Mercedes em baixíssima resolução de modo a que se tornasse impossível de ver os valores que estão registados naqueles ecrãs, pois ali estão todos os dados que são totalmente controlados pela FIA, mas as restantes equipas também não têm que saber quanto túnel de vento é que já foi utilizado pela Mercedes, pois as datas estão também registadas no sistema. O segredo é a alma do negócio, mas também a alma das vitórias…










