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A segunda vida de Tommi Makinen

José Luis Abreu by José Luis Abreu
29 Julho, 2013
in Ralis
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Tetracampeão do Mundo de Ralis, Tommi Makinen é agora um conceituado preparador e um observador atento da evolução dos ralis ao mais alto nível

Jyvaskyla, no centro da Finlândia, ‘produziu’ dois Campeões do Mundo especiais: Juha Kankkunen e Tommi Makinen, cada um com quatro títulos de Pilotos. Mas o que Jyvaskyla nunca tinha produzido até há pouco tempo era uma espécie de centro técnico dedicado aos ralis. O que era uma miragem no passado, já não é. Quando Tommi Makinen se retirou do Mundial de Ralis, foi convidado pela Subaru para criar esse centro, com a especialização no modelo Impreza e com a pontaria direccionada para os mercados do norte e do leste europeu. Agora, nos subúrbios de Jyvaskila, em Puuppola, o ex-Campeão do Mundo redimensionou toda a sua estrutura, juntando as suas ‘armas’ às providenciadas por Kankkunen, na Juha Kankkunen Driving Academy, especializada em evoluir a condução de pilotos de ralis no gelo e na neve!

É o chamado ‘dois em um’, numa ideia que estava longe do pensamento de Makinena: “tem sido um trabalho fascinante, mas tenho que confessar que mesmo quando abandonei o WRC e pensava apenas dedicar-me à minha quinta, estava longe de imaginar que iria ser preparador a partir de 2003 depois do convite dos japoneses”.

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Currículo invejável

Antes da ‘Loebmania’ dos dias de hoje, Tommi Makinen foi um dos mais carismáticos pilotos do Mundial de Ralis arrastando, também ele, uma autêntica legião de fãs. Mesmo se já não detém o recorde de títulos, o finlandês voador foi o primeiro a conseguir conquistar quatro títulos consecutivos (entre 1996 e 1999). Ostenta no currículo 24 vitórias, 45 pódios (cinco segundos lugares e 16 terceiros) e 362 vitórias em provas especiais de classificação, números que merecem o respeito de todos que o tiveram como adversário ou que simplesmente admiraram as suas aptidões para a condução. Apesar de ter sido piloto da Nissan e da Subaru, foi na formação oficial da Mitsubishi que construiu o nome. Aliás, foi mesmo o único piloto a conseguir estrondosos sucessos num modelo de Grupo A (Lancer) na era dos World Rally Cars. Inesquecível…

Na próxima quinta feira vai ser possível voltar a vê-lo aos comandos do seu Mitsubishi Lancer Evo de Grupo A, na super-especial do Rali da Finlândia, onde vai mostrar novamente que quem sabe, nunca esquece.

Dia inesquecível

Se há ano em que Tommi Makinen irá recordar para sempre será certamente o de 1998. Para além de ter conquistado o seu terceiro título mundial e ter oferecido o primeiro à Mitsubishi, o “finlandês voador” soube que era Campeão do Mundo pelo telefone. Quando já tinha perdido todas as esperanças do título, o abandono de Sainz no último troço do Rali do RAC facilitou-lhe o acesso ao ceptro. Sorte de campeão…

O Campeonato do Mundo de Ralis de 1998 foi, sem dúvida, dos mais emotivos nos mais de 20 anos de história que esta competição encerra. É que, para além de Tommi Makinen, também Colin McRae e Carlos Sainz estiveram apostados em ganhar e por muito pouco não conseguiram.

A uma prova do fim, tudo estava em aberto: Makinen e Sainz iam para o Rali do RAC decidir o título, com a balança a pender para o lado do finlandês por dois pontos. Como referia Makinen, a Martin Holmes, o jornalista que acompanhou a prova para o AutoSport, “a estratégia é ir atrás de Sainz e ver o que acontece”. Mas demasiado cedo o “feitiço virou-se contra o feiticeiro”. Logo na sexta especial, Makinen foi surpreendido pelo óleo deixado no asfalto e não evitou um toque nas barreiras de protecção que ladeavam a estrada. A suspensão do Lancer ficou então irremediavelmente afectada e Makinen foi obrigado a desistir e a entregar de bandeja o título a Sainz, perante o sentimento de culpa dos comissários de pista, que não tinham assinalado a mancha de óleo, quando sabiam que ela lá estava. Só que a estrelinha da sorte estava do seu lado e, como não há campeões sem ela, Makinen só teve que esperar que um verdadeiro “golpe de teatro” lhe devolvesse o título que tinha deixado escapar na estrada. Assistindo a tudo, Martin Holmes deu assim conta do volte-face: “Carlos Sainz ficou sem palavras para comentar o episódio que viveu quando, no último troço – e numa altura que ocupava o quarto lugar suficiente para se sagrar Campeão do Mundo – o motor do seu Toyota Corolla WRC ardeu, a escassas centenas de metros do final da especial”. Foi um fim inglório para o piloto espanhol que a 500 metros do final do último troço – também não deixa de ser verdade que faltava ainda cumprir uma ligação de 75 quilómetros até à chegada a Chettenham – viu esfumarem-se todas as hipóteses de chegar ao terceiro título.

Enquanto isto, quando dava a última entrevista a uma cadeia de televisão finlandesa no hotel e já com o táxi que o levaria ao aeroporto à espera, Tommi Makinen recebeu a notícia de ser o novo Campeão Mundo depois de atender o seu telemóvel e escutar a voz do irmão com as boas novas! Como referiu prontamente Makinen: “Não há sorte nos ralis, só falta dela!”

“Boas recordações de Portugal, há muita paixão pelos ralis”

AS: Pode explicar-nos como surgem tantos valores que chegam ao ‘top’ mundial, num país de somente cinco milhões de habitantes?
TM: É simples! Boas condições para evoluir, boa mentalidade e a tradição também ajuda muito. Eu próprio tive um mentor, o Juha – n.d.r. Kankkunen – que me ajudou no início de carreira, e agora faço eu o mesmo a outros, e assim nunca deixamos de ter bons pilotos.

AS: Recorda a sua última vitória no Rali de Portugal, em 2001, quando saiu empatado com o Sainz para a derradeira especial e, em 11 quilómetros, ganhou 8,5 segundos?
TM: Sim! Que boa recordação essa prova! Guiei nessa especial muito depressa, foi uma boa luta com o Carlos (Sainz), mas lembro-me também de um Rali Sanremo, em 1999, onde fui para o derradeiro troço com quase um minuto de desvantagem, guiei como um louco e venci a prova. Tenho muito boas recordações nas 139 provas que fiz no Mundial.

AS: A propósito do Rali de Portugal, será que ainda o veremos lá?
TM: (Risos) Talvez…como espectador! Mas tenho boas recordações de Portugal, há muita paixão pelos ralis.

José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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