A Ferrari inicia a defesa dos títulos do Mundial de Resistência com alterações no 499P para 2026. Para além de uma decoração renovada, os Hypercar italianos apresentam um pacote aerodinâmico revisto, fruto de uma re-homologação obrigatória determinada pelo WEC.
As modificações não resultam da ativação de um “Joker” de desenvolvimento por parte da Ferrari, mas sim de exigências regulamentares após a re-homologação de todos os Hypercar na WindShear, nos Estados Unidos, processo necessário depois de o túnel de vento da Sauber, em Hinwil, ter deixado de ser utilizado para esse efeito.
Enquanto rivais como BMW e Cadillac já introduziram evoluções “Joker” — e Toyota e Alpine preparam estreias das versões 2026 —, a Ferrari viu-se obrigada a rever vários elementos aerodinâmicos do 499P. As alterações incluem a redução significativa dos dive planes dianteiros, a remoção de Gurney flaps na zona superior junto às rodas frontais, ajustes nas placas laterais da asa traseira, modificações na carroçaria atrás das rodas traseiras e a eliminação de um Gurney flap de grandes dimensões na tampa do motor. Foram ainda efetuados refinamentos subtis no fundo plano, para reposicionar o carro dentro da janela de performance imposta pelo regulamento.
Segundo o responsável pelos programas de resistência da Ferrari, as intervenções foram cirúrgicas, mas eficazes, permitindo reenquadrar o desempenho sem alterar as superfícies principais do protótipo.
A par destas mudanças, a introdução de uma nova gama de pneus Michelin para 2026 e as restrições significativas aos testes no Hypercar criam incerteza quanto ao posicionamento competitivo da Ferrari face à concorrência.

O responsável pelos Hypercar da Ferrari explicou à RACER:
“Se começarmos pela frente, revimos todos os apêndices aerodinâmicos no pára-choques, reduzindo o seu tamanho. Alterámos a forma como gerimos o fluxo de ar na parte superior da carroçaria acima das rodas, removendo — a pedido da Federação — alguns Gurneys e substituindo-os por superfícies aerodinâmicas reais. Na zona dianteira do fundo plano ajustámos os mecanismos de desvio de fluxo para equilibrar o veículo.”
Sobre a traseira, acrescentou:
“Redesenhámos a tampa do motor, removendo um grande Gurney na extremidade posterior. Temos agora um Gurney maior nas placas da asa traseira e redesenhámos a lateral atrás das rodas traseiras para otimizar o fluxo aerodinâmico. São intervenções mínimas, mas eficazes, que nos permitiram reposicionar o carro dentro da janela de performance.”
Já Antonello Coletta, responsável global pelo Endurance e Corse Clienti da Ferrari, reconheceu as dificuldades impostas pelos novos pneus:
“Uma das principais diferenças tem sido conseguir gerir bem os pneus ao longo de vários stints e extrair o máximo desempenho. Teremos de compreender isso rapidamente. Infelizmente, testámos muito pouco. Não dispomos de muitos ensaios, o que é pena, porque os testes ajudam-nos a melhorar. Estamos todos na mesma situação e veremos onde estaremos.”
Com um pacote aerodinâmico revisto e o desafio adicional dos novos pneus, a Ferrari enfrenta um início de época que exigirá rápida adaptação para manter a posição cimeira alcançada nos últimos anos.











