Em conversa com os jornalistas em Misano, citado, entre outros, pelo Motorsport Italia, Carlos Tavares deixou claro que há futuro para a Alfa Romeo e Lancia nos desportos motorizados, mas o caminho ainda não está traçado, produzindo declarações que explicam claramente, como e porquê uma marca ruma a uma qualquer disciplina do ‘motorsport’: Marketing.
Quanto ao momento dos regressos da Alfa Romeo e Lancia ao desporto automóvel, confirma a possibilidade desses regressos, mas o momento e a forma ainda estão a ser definidos.
Quanto aos objetivos da Stellantis, são claros: o regresso visa principalmente o marketing e o aumento do valor das marcas, não a inovação tecnológica.
Quanto às condições necessárias para que estes regressos se processem, a decisão final depende do ciclo económico das diferentes disciplinas do desporto automóvel e do retorno do investimento.
Carlos Tavares deu ainda como exemplos dois cenários perfeitamente possíveis e fáceis no seio da Stellantis: a adaptação do Peugeot 9X8 para a Alfa Romeo poder rumar ao WEC, Mundial de Resistência e a utilização, por exemplo, de um Peugeot 208 Rally 4 para a Lancia, isto para não falar de um Lancia Ypsilon HF Rally2 baseado no C3 Rally2, claro, acrescentamos nós…
Para Carlos Tavares, CEO da Stellantis, o desporto automóvel é uma ferramenta de marketing, e o foco principal do Grupo está na revitalização das marcas antes de investir nas corridas.
A participação em campeonatos depende da criação das respetivas equipas e da viabilidade económica dos projetos. O regresso aos ralis da Lancia ainda não está definido, mas a ideia passa por ir alimentando o sonho dos fãs, claramente o que a Stellantis tem feito nos últimos tempos.
Carlos Tavares deixou ainda claro que a Stellantis não está interessada em investir em I&D (Investigação e Desenvolvimento) para o desporto automóvel, deixando claro que o regresso da Alfa Romeo e Lancia às corridas é estratégico e depende de vários fatores.
Muito se tem falado da Lancia e do WRC, mas realisticamente este é, em muito tempo, o pior momento para uma marca tomar decisões quanto ao eventual regresso à modalidade. Se os próprios players que já lá estão não se entendem, o que pode fazer uma marca que pondera entrar? Esperar…
Muitos adeptos sonham com o que era a Lancia nos Ralis. A história e a tradição foram apagadas ao longo do tempo, muito antes da chegada de Stellantis e de modo nenhum, no contexto atual há forma de reativar algo semelhante ao que sucedeu nos anos 80. Totalmente fora de causa.
Seja como for, Carlos Tavares diz que nada ainda está decidido, o que é perfeitamente natural face aos contextos que se vivem.
Tavares diz que o ideal é entrar quando os custos são razoáveis e depois crescer com a disciplina, tornando-se mais competitivo, e isso é algo que no caso do WRC e da Lancia, o momento é de expetativa pois nem a própria modalidade sabe ainda para onde vai.
Quanto à Alfa Romeo, a decisão deve ser bem mais fácil de tomar, mas ainda não está tomada…
“A Lancia merece estar de volta ao desporto automóvel, com ou sem rali, mas uma das coisas que temos de compreender é que o desporto automóvel só existe como ferramenta de marketing automóvel”, diz Tavares, deixando claro que a Stellantis está a revitalizar a marca mas se não resultar, não haverá dinheiro para pagar as corridas.
Como conclusão podemos dizer que o regresso da Alfa Romeo e Lancia ao desporto automóvel é uma possibilidade, mas ainda há muitas decisões por tomar pois a Stellantis, como a quase totalidade das marcas, prioriza o marketing e a viabilidade económica, o que significa que a inovação tecnológica e o regresso aos ralis não são as suas principais prioridades.










