José Rodrigues foi Driver Adviser: da pista aos bastidores no TCR World Tour em Vila Real

Por a 9 Julho 2025 11:31

Uma nova função fora do cockpit

No fim de semana do TCR World Tour, em Vila Real, o piloto José Rodrigues viveu uma experiência diferente, mas não menos intensa: atuou como Driver Adviser da FIA, um papel que o colocou nos bastidores da competição, para ajudar a garantir a justiça desportiva. Habituado à pressão dos eventos desportivos como o de Vila Real, voltou a sentir a adrenalina, desta vez fora do cockpit.

A importância da experiência de 2018

José Rodrigues conhece bem as exigências do Circuito Internacional de Vila Real e das competições da FIA. Foi wildcard em 2018, num fim de semana em que o azar não o largou, mas no qual respondeu sempre com grande determinação e resiliência, com uma performance digna de nota. Rodrigues é um piloto com várias corridas feitas a nível internacional e a sua experiência foi fulcral para aceitar o convite feito.

“Foi um prazer enorme receber o convite para ser Driver Adviser FIA na prova do TCR World Tour em Vila Real”, revelou o piloto no final do evento. “Ainda por cima, numa corrida com um nível altíssimo de pilotos.”

O que é um Driver Adviser?

O papel de Driver Adviser, cada vez mais valorizado em competições internacionais, é desempenhado por um piloto com experiência e consiste em acompanhar os comissários desportivos na análise de incidentes em pista, oferecendo uma perspetiva técnica e emocional vinda diretamente de quem já esteve do lado do volante.

“É sempre bom ter novas experiências e esta permitiu-me ver o desporto automóvel de outra perspetiva, completamente diferente”, explicou. “Perceber como os comissários desportivos avaliam todos os momentos de uma prova como esta, com justiça e conhecimento, com toda a logística — o chamado back office — é impressionante.”

A função exige não só conhecimento técnico, mas também a sensibilidade de perceber o contexto real de cada momento em pista — algo que Rodrigues fez questão de sublinhar.

“Julgo que é fundamental ter a visão de quem anda ou andou em pista. Muitas vezes, o desgaste, as condições do traçado ou até o próprio ambiente de corrida explicam situações que podem parecer mais complicadas do lado de fora. Essa experiência e leitura de corrida foi, e será sempre, muito importante para se tomar as decisões mais justas e equilibradas.”

O momento mais tenso do fim de semana

Durante o fim de semana, a sua experiência acabou mesmo por ser decisiva.

“Houve uma situação na corrida 2 em que consegui explicar o ponto de vista do piloto, o que acabou por ser determinante para uma decisão mais justa.”

Já perto do fim da corrida, o piloto Ignacio Montenegro cortou a Chicane da Araucária devido à presença de um piloto mais lento, Michel Fernandes, nessa zona. As bandeiras azuis estavam a ser mostradas ao piloto retardatário. A manobra de Montenegro foi investigada e a penalização estava a ser seriamente ponderada.

“Opus-me a essa decisão e tentei explicar que se tratavam de dois pilotos com ritmos competitivos diferentes e que até disputavam competições diferentes. A penalização seria muito dura, uma vez que o corte da chicane foi a manobra mais segura naquele momento. Voltámos a rever tudo, analisámos a telemetria e vimos que o piloto levantou o pé após cortar a chicane, e não ganhou tempo. Depois de tudo analisado, Montenegro não foi penalizado e manteve o pódio final.”

Preparação e profissionalismo

Apesar de ser um desafio novo, a preparação foi levada a sério.

“Apenas revi regulamentos e vídeos para chegar lá bem informado e poder ajudar de forma responsável”, explicou.

Agora, com esta experiência no currículo, o piloto vê com outros olhos algumas decisões que, do lado de fora, nem sempre são compreendidas:

“Sem dúvida. Vê-se muita coisa que o público e até os próprios pilotos não têm acesso. A perspetiva muda completamente, porque eles tentam cumprir tudo à risca do que está nos regulamentos.”

Agradecimento a Pedro Lamy

Rodrigues não esqueceu o gesto de quem o convidou para esta função:

“Quero agradecer o reconhecimento e a confiança do Pedro Lamy, que me convidou para o substituir nesta função. Foi uma honra e uma responsabilidade acrescida, vinda de alguém com o percurso e o nome dele no automobilismo.”

E o regresso às pistas?

Sobre um eventual regresso à competição, o piloto não esconde a paixão que ainda sente pelas corridas:

“O ‘bichinho’ das pistas nunca me vai largar. Espero voltar em breve, mas com um projeto bem estruturado. Estou extremamente feliz e motivado na montanha, que me conquistou pela imprevisibilidade e pela adrenalina única que oferece.”

Uma experiência a guardar

No final, ficou a certeza de uma missão cumprida e de uma nova porta aberta no universo do automobilismo. Como o próprio José Rodrigues concluiu:

“Foi, sem dúvida, uma experiência enriquecedora e que guardo para o futuro.”

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