IMSA, 24h Daytona: A determinação lusa falou mais alto
As 24h de Daytona voltaram a sorrir às cores portuguesas. Porquê? Porque além do talento, vimos em pista a determinação dos nossos pilotos. Porque a alma lusa, que por vezes parece esquecida, reaparece nestes momentos. Porque temos os melhores do mundo.
No lançamento desta prova falamos dos números. Dos tais números que todos os dias nos atormentam e que tornam a nossa vida mais sombria e pesada. Os números que não queremos ver e que nos fazem duvidar de tanto. Se precisávamos de provas que a alma lusitana é capaz de ultrapassar os obstáculos mais dificieis, Daytona deu-nos essas provas… e fez-nos esquecer dos tais números.
Filipe Albuquerque e João Barbosa voltavam a uma pista onde já foram várias vezes felizes, cada um com um enquadramento diferente. Para ambos era um recomeço, uma nova página de um livro recheado de grandes momentos. Para ambos era o momento abraçar novos desafios.
Filipe Albuquerque vinha da sua melhor época de sempre. Campeão mundial e europeu de resistência em LMP2, chegava a Daytona com outras cores. Depois de quatro época na Action Express, o piloto de Coimbra mudou-se para a Wayne Taylor Racing, a referência nas últimas épocas em Daytona, mas agora com uma nova máquina, o Acura AXR-05. Nova equipa, novo carro, novos companheiros de equipa. O mundo é cada vez mais pequeno e Albuquerque assumia um novo compromisso na equipa e com o piloto que uma vez lhe roubou de forma injusta e amarga o merecido primeiro triunfo à geral em Daytona. O #10, que lá no fundo nos provocava alguns sentimentos negativos, passava a ser o centro das nossas atenções.
Já João Barbosa vinha de um ano dificil. Depois de um começo auspicioso na JDC-Miller Motorsports, o piloto português saiu da competição a meio da época para acompanhar a doença da sua mulher. O dever de pai e marido falou mais alto e Barbosa focou toda a sua atenção no que tem de mais importante. Regressava a Daytona, agora em LMP3 com o objetivo de voltar a competir e mostrar que ainda tem muito para dar.
Filipe Albuquerque não precisou de muito para se adaptar. Desde de início mostrou um bom ritmo no carro e assumiu-se como o principal elemento da equipa construída por Alexander Rossi, Hélio Castroneves e Ricky Taylor. Foi ele que fez a qualificação para a corrida que definiu a grelha de partida para a prova. Foi ele que arrancou na corrida de qualificação e foi ele que arrancou nas 24h de Daytona.
Albuquerque não desiludiu e logo no primeiro stint tratou de anular a diferença de andamento para os Cadillac, que nas primeiras horas da prova era notória, e conseguiu colocar o carro no top3. Foi também ele que colocou o carro na liderança da corrida, quando o relógio da prova chegou às 12h, lugar que nunca mais largaria.
Como se isso tudo não bastasse foi ele que foi chamado a defender a liderança na última hora e meia, quando o seu colega de equipa admitiu que não estava mais a 100% para continuar. O que vimos por parte de Albuquerque foi um festival de condução. Tudo o que um piloto de topo precisa de fazer para ter sucesso foi feito pelo português, que atacou quando teve de atacar, defendeu quando teve de defender e manteve uma calma “nórdica” mesmo estando constantemente sob pressão de vários adversários.
Não tivemos um momento de sossego e a vantagem para os Cadillac nunca foi superior a 30 seg. Se os retrovisores se gastassem, os de Albuquerque estariam inutilizados no fim da corrida. Foi preciso lutar muito, defender a posição com unhas e dentes, não perder a compostura e esperar que a bandeira de xadrez aparecesse ao longe. Mesmo quando a sorte bateu à porta do português com o furo do #01, quando a pressão era tremenda, não foi possivel respirar pois o adversário seguinte estava a apenas cinco segundos.
No final impróprio para cardiacos, Albuquerque voltou a vencer e deu continuidade ao excelente momento que vive e depois do sucesso tremendo em 2020, manteve a toada em 2021 com a terceira vitória em Daytona, meses depois de vencer em Le Mans.
João Barbosa não apareceu tanto pois a classe onde milita agora não tem tanto destaque, mas fez um excelente trabalho. A sua equipa começou do fim da tabela na sua classe mas foi recuperando terreno, uma recuperação que ganhou um ritmo maior com o português ao volante. Barbosa aproximou a sua equipa do topo, foi descansar e quando voltou, viu que estavam a cinco voltas do líder. Barbosa não esmoreceu e foi à luta, recuperando algum do tempo perdido. Acabaram a três voltas do primeiro classificado, muito graças ao trabalho do experiente piloto.
Não é a primeira vez que nos enchemos de orgulho ao ver as prestações dos nossos pilotos e em Daytona voltamos a sentir isso. Voltamos a ver a bandeira no topo do mundo, desta vez por bons motivos. Voltamos a ver o talento imenso destes homens que provam a cada corrida que estão entre os melhores, que apesar da adversidade não desistem e que sempre que têm uma oportunidade não falham. Nestes tempos tristes e preocupantes, fizeram-nos sorrir, vibrar e festejar. A tal alma lusitana que tantas vezes se fala voltou a aparecer… foi do outro lado do atlântico para todo o mundo ver. Parabéns aos dois.
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FanMotores
1 Fevereiro, 2021 at 8:38
Se muitas vezes critico o conteúdo e a forma de alguns artigos, é da maior justiça aplaudir desta vez.
Excelente artigo. Parabéns.