A época 2023/2024 da Fórmula E vai ficar cravada na memória de António Félix da Costa. O piloto português passou pelo inferno e subiu ao céu na mesma época, mas terminou a temporada com nota positiva. Se houvesse prémio da combatividade na Fórmula E, Félix da Costa seria o justo vencedor.
Vamos apenas ver os números. Félix da Costa, em 18 corridas que compunham a época 2023/2024 da Fórmula E, não pontuou em 8! Ficou a zeros nas três primeiras corridas, na ronda italiana, na primeira corrida da China e nas duas corridas de Londres. Estes números apontariam para um campeonato miserável, claramente fora do top 10 da geral final. Félix da Costa acabou em sexto! E com o maior número de vitórias, quatro, três delas consecutivas.

Um arranque duro
A época de Félix da Costa começou da pior maneira. Longe do andamento do colega de equipa, especialmente em qualificação, as três primeiras corridas do ano fizeram a equipa desconfiar do português, num ano em que cheirava a tudo ou nada na Porsche, à procura ainda do seu primeiro título. O Brasil, onde se dá sempre bem, seja em que carro for, trouxe os primeiros pontos, Japão trouxe mais ânimo, mas Itália foi mais um banho de água fria para o português. Mónaco trouxe mais alguns pontos, mas veio Alemanha. O palco do seu primeiro título na Fórmula E, voltou a fazer sorrir o piloto de Cascais, com a primeira vitória do ano. A primeira corrida da China foi madrasta, com zero pontos, mas a segunda deu vitória, receita que voltou a aplicar nos Estados Unidos, onde foi o “King” desse fim de semana.
Com seis desistências, chegou a Londres ainda com possibilidade de ser campeão, graças aos quatro triunfos, apesar dessa possibilidade ser apenas matemática. O foco da equipa estava no outro lado da box. Félix da Costa fez a sua parte. Ajudou o colega a ser campeão, depois de no sábado as suas hipóteses terem caído por terra. No final a festa do português foi contida, com um toque que tirou um adversário da luta pelo título. Félix da Costa é assim, duro em pista, mas justo. Fez questão de pedir desculpa, publica e pessoalmente.

Balanço positivo, apesar das contrariedades
Que balanço fazer da época do português? Balanço muito positivo. Félix da Costa voltou a fazer o que sempre faz. Nunca vira a cara à luta, encarou cada adversidade como um desafio a superar… uns mais fáceis que outros. A certo ponto sentiu que a equipa o abandonava e isso afetou-o. Respondeu com trabalho e garra. Não teve de enfrentar apenas falta de andamento. Também sentiu na pele algumas decisões mais discutíveis do colégio de comissários. Pareceu fácil castigar o português, quando noutras situações não se viu mão tão pesada. AFC nunca arranjou desculpas e tratou de fazer o que podia… melhorar cada vez mais sem pensar em mais nada.
Não foi a época mais brilhante de AFC. Mas foi talvez a época em que ele mostrou que se está no topo, não é por acaso. Outros pilotos, na sua situação, claudicaram e demoraram tempo a reagir. Félix da Costa conseguiu na mesma época ir do Inferno ao Céu. Está de parabéns o nosso compatriota. Disse ele uma vez que o peso de transportar a bandeira é por vezes bem grande. Mas dificilmente teríamos melhor representante.











