A diferença entre pro racing e club racing nunca foi muito ampla na velocidade nacional. Enquanto os anos 90 deram origem a diversos projetos nacionais nas competições de carros de turismo e de GT, o Campeonato Nacional de Velocidade passou para segundo plano atrás dos troféus monomarca. Assim, do ponto de vista técnico, até ao surgimento do PTCC, o mercado pouco evoluiu para além do conceito de preparador, com poucas equipas capazes de oferecer uma experiência profissional, gerindo tanto o aspeto técnico como o desportivo de fazer uma corrida.
Em simultâneo, os troféus monomarca evoluíram rapidamente para um conceito de corridas chave-na-mão, em que os pilotos pouco tinham com que se preocupar além de arranjar patrocínios e aparecer no circuito de fato e capacete. Surgiu assim uma geração de pilotos, alguns com idade mais elevada que o costume para começar uma ‘carreira’ ao volante, que encaravam as corridas de automóveis como uma mera diversão de fim de semana e que mesmo assim podiam ganhar corridas.
Até ao início dos anos 90, a componente de entretenimento próprio sempre fez parte das corridas, mas os melhores eram os que se preocupavam mais em garantir que tinham um carro mais competitiva, ou seja mesmo a divertir-se, ganhavam os pilotos que levavam as corridas mais a sério. No entanto, mais recentemente, os novos pilotos fãs do chave-na-mão criaram uma nova componente da indústria, que evoluiu dos troféus da Publiracing, Enduransport e a Honda Oni/BPI Cup para o que se passa continuamente há vários na Super Seven by KIA e no Challenge Desafio Único, num movimento que acabou por puxar naturalmente o nascimento da Classic Super Stock e Single Seater Series, para aqueles que se querem apenas divertir com os seus carros próprios.
Agora, 2016 vai trazer uma separação mais específica entre o club racing e o pro racing (que em Portugal é ainda um ‘not-quite-pro’ racing), mas ainda há algum espaço para evolução e para consolidaçãon dos dois conceitos em Portugal. Depois da criação da Legends Car Cup, a caravana do Campeonato Nacional de Clássicos faz cada vez sentido no pacote de corridas da pro racing, mas as propostas da Comval e da Q&F para uma Fórmula 4 e um troféu Mustang poderiam ser substitutos interessantes (o troféu Mustang, em particular, poderia garantir o quórum necessário para a concretização do CNV Endurance). Ao mesmo tempo, as dificuldades do Desafio Único para encontrar um promotor adequado para as necessidades dos seus pilotos aponta também para o vácuo nacional do club racing mais regionalista.











