Nas duas últimas corridas do ano vimos o então virtual campeão nacional a fazer os mínimos indispensáveis para confirmar o título. O mínimo indispensável significou meia dúzia de voltas, com pneus já muito usados para garantir a classificação. Talvez seja o retrato da velocidade atual.… pilotos com vontade de correr, mas sem condições para isso.
2018 começou com muitos pontos de interrogação. Não é estranho os projetos serem fechados em cima da hora, mas à data agendada para a primeira prova, no Estoril, eram poucos os projetos confirmados. De tal forma que obrigou a federação e o promotor do campeonato a reunir e a definir um novo calendário, de apenas quatro provas, limitando os custos, para poder atrair mais pilotos e facilitar as negociações existentes.
A estreia do campeonato ficou assim adiada para Braga, com uma lista de inscritos melhor que o esperado, graças a inclusão dos Supercars. O conceito estreado no ano passado em Vila Real, voltava assim às pistas e permitia a entrada de mais carros, com a presença de José Correia com o seu Nissan GT-R e de Daniel Teixeira e Joaquim Santos na classe Turismos. Nos TCR, Pedro Salvador fazia o regresso à velocidade, tal como Armando Parente, acompanhado por José Cautela. A completar a grelha tínhamos a recém-formada dupla da Sports&You com Francisco Abreu e Rafael Lobato, Francisco Carvalho com a Veloso Motorsport, Manuel Gião aos comandos do Kia Ceed da CRM, Gustavo Moura que estreava o seu Audi RS3 LMS com apoio da Speedy Motorsport e Francisco Mora também apareceu para fazer a primeira prova do ano, uma presença que não repetiu. Nos TCC João Sousa mantinha a aposta solitária.
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A primeira ronda teve como vencedores Armando Parente e Pedro Salvador. Parente deu a vitória suada à Novadriver, numa pista onde o VW Golf GTi TCR não se dá bem. Na segunda corrida foi Salvador a levar a melhor e a conquistar os 25 pontos. O campeonato não veria outros vencedores. Salvador esteve imparável em Vila Real, fez as duas poles e venceu as duas corridas, algo que repetiu em Braga (que recebeu a terceira jornada em vez do Estoril, na altura em obras), onde a matemática fez dele campeão nacional, bastando para isso aparecer em Portimão, o que fez.
Mas a história do campeonato não é assim tão simples e a luta pelo segundo lugar foi renhida. Abreu e Lobato tiveram uma acesa disputa com Francisco Carvalho durante toda a época e chegaram a Portimão com legítimas aspirações ao vice-campeonato, com ligeira vantagem para a dupla do Peugeot 308 TCR. Mas Portimão trouxe de novo para as luzes da ribalta Armando Parente, que venceu as duas últimas corridas e subindo ao segundo posto nas contas finais. já a solo, pois José Cautela apenas fez o campeonato até Vila Real e em Braga teve a companhia de Henrique Chaves.
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Salvador sagrou-se campeão de forma indiscutível. Cinco vitórias consecutivas foram suficientes para que o piloto e chefe da Speedy conquistasse o título, neste regresso a velocidade. Parente foi vice-campeão e deixou no ar a dúvida de como seria o campeonato se tivesse passado pelo Estoril. Para Abreu e Lobato foi uma época difícil e de aprendizagem. Puderam mostrar o potencial do novo carro da marca francesa, mas os problemas de juventude de um carro que ainda está a evoluir, complicaram a tarefa da dupla, como aconteceu em Portimão, onde os recorrentes problemas de travões se voltaram a fazer sentir. Francisco Carvalho gostava de ter vencido pelo menos uma vez, mas as pistas sinuosas de Vila Real e Braga não favoreceram as características do seu Audi, que na última corrida acabou mais cedo com problemas técnicos.
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Manuel Gião foi também destaque, levando o Kia Ceed ao pódio. Depois de muito trabalho, a equipa conseguiu melhorar os níveis de fiabilidade e Gião pôde saborear o champanhe na última prova. Gustavo Moura teve um ano de adaptação à nova máquina com tudo o que isso implica e João Sousa participou em três provas continuando a mostrar o seu TCC na esperança que outros lhe sigam o exemplo.
Nos Supercars, em GT, José Correia mostrou bom andamento no seu GT-R, e foi pena não termos visto mais máquinas deste calibre. Pedro Marreiros foi também vencedor, com Paulo Pinheiro, tal como Paulo Martins e Gonçalo Manahu teve o azar do seu lado na única participação, em Vila Real. Nos Turismos, Daniel Teixeira mostrou potencial para outros voos, acompanhado por Joaquim Santos e na última prova pelo seu pai Joaquim Teixeira. Pedro Lisboa e Fábio Mota (que faz questão de estar sempre presente em Vila Real) também subiram ao degrau mais alto do pódio e Gabriela Teixeira fez a tão aguardada estreia em circuitos.
Não foi um campeonato mau. Foi o campeonato possível e os intervenientes fizeram o que estava ao seu alcance para abrilhantar da melhor forma as provas. Olhamos para o paddock dos nacionais e não podemos deixar de admitir que há qualidade, quer nos pilotos quer nas estruturas, assim como nas pistas, com traçados interessantes e desafiantes.
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A grande dúvida está no futuro. A situação acutal é insustentavel e todos têm noção disso, bastando para isso ouvir as delcarações dos pilotos quando se fala do futuro. Fala-se num TCR Ibérico, com a FPAK a fazer esforços para que tal aconteça, faltando apenas o acordo do outro lado da fronteira. Há quem aponte para GT4 e outros preferem rumar a outras paragens. 2019 será um ano de grande importância para a velocidade nacional. Será preciso apresentar uma solução sólida, bem estruturada, que permita aos pilotos atrair patrocinadores. A situação instável que se viveu este ano, com alterações no calendário não se pode repetir.
O cenário do TCR Ibérico parece a melhor solução, pois permite chegar a um mercado mais abrangente o que poderá atrair novos interessados. E um TCR Ibérico bem organizado poderá ser uma melhor montra para os pilotos que participem, numa catergoria presente agora em praticamente todo o mundo. A solução do Open também não pode ser descartada, mas a nível competitivo não será uma solução tão interessante. No meio de tantas dúvidas fica pelo menos a sensação que todos querem remar para o mesmo lado. Que 2019 traga o ínicio de um periodo de sucesso onde o talento nacional poderá ter um palco para se mostrar aos adeptos nacionais e ao mundo.











