Realizou-se no passado fim de semana no Estoril o maior evento de sempre de Clássicos realizados em Portugal. Já se realizaram ao longo dos anos grandes eventos de Clássicos em Portugal, no Estoril, Porto (Boavista) e Portimão (AIA), mas em termos de qualidade do plantel, este foi ano ‘vintage’.
FOTOS Rui Reis, JCM Photo/João C. Manoel e Oficiais
Grande fim de semana no Autódromo do Estoril. Num evento claramente melhor do que há dois anos – o ano passado foi só mesmo para não existirem interrupções – só faltou algum público, pois as normas da DGS não permitiram ainda ‘casa cheia’. Em pista, muito espetáculo, plantéis de carros históricos nunca antes vistos em Portugal, e boas corridas. A da Fórmula 1 foi competitiva e a dos Grupos C, apesar de ter terminado com os vencedores destacados, as lutas diretas em pista foram mais do que muitas. Com um Paddock completamente renovado, o maior evento de clássicos da Península Ibérica abriu as suas portas ao público, 318 equipas e mais de 400 pilotos oriundos de todo o Mundo. O público pôde desfrutar de um Food & Brand Village com uma grande variedade de escolhas e pôde contemplar os mais de 300 exemplares históricos a rodar em pista. A meteorologia ajudou, os bilhetes Paddock estavam esgotados e quem não pode ir ao Estoril pode ver o Live Stream do evento, seguido por milhares em todo o mundo. Foi uma enorme festa para os adeptos dos Clássicos e para destacar é mesmo o incrível número e qualidade de carros presentes.
Classic GP – Fórmula 1 Pré 1986
Foram, com naturalidade, as corridas mais emblemáticas do evento. A Classic GP, Fórmula 1 Pré-1986 marcou presença no Estoril com 14 exemplares desde 1971 a 1986. Nesta lista o Williams FW08C, que na época fora pilotado pelo campeão do mundo em título, Keke Rosberg. Os apaixonantes monolugares de F1 que marcaram a história da modalidade ao longo de várias gerações, centraram muitas das atenções. Máquinas com decorações emblemáticas da época, potentes motores e uma sonoridade invejável que continuam a marcar e a fazer vibrar os apaixonados adeptos do desporto automóvel.
Numa grelha preenchida com modelos distintos, como o Lotus 91, Williams FW08C, Mclaren M24, Surtees TS16, March 811 ou Ligier JS11/15-04, e de diferentes anos – 1971 a 1983.
A 1ª corrida foi muito animada na luta pelos lugares cimeiros. O Mclaren M24 de Michael Lyons foi o primeiro a cortar a meta, vencendo a classe A, com o Lotus 91 de Steve Brooks logo atrás, piloto que assinou o triunfo na classe B. Mas a maior disputa no traçado do Estoril aconteceu na discussão do segundo lugar da geral, que acabou por ficar na posse do Lotus 91 de Steve Brooks, depois de uma grande luta com o Williams FW08C de Mark Hazell.
Michael Lyons e o seu Mclaren M24 dominaram a primeira corrida do fim de semana, em que a Lotus e a Williams voltaram a travar uma intensa batalha no Estoril, tal como sucedeu em 1986, por exemplo, quando os dois carros arrancaram na frente, ou em 1984, quando chegaram à primeira curva também um Williams e um Lotus na frente.
A segunda corrida foi ganha pelo Lotus 91 com as cores John Player Special. Partindo da frente, Steve Brooks impôs um andamento forte desde início, permitindo ao seu Lotus 91, um modelo que conheceu maior sucesso pelas mãos de Nigel Mansell, ganhar alguma vantagem. No segundo posto, Mark Hazell colocava um dos modelos construídos por Frank Williams, neste caso o Williams FW08C. Na luta pelo terceiro lugar, disputa entre o Ligier JS11/15-04 do francês Mister John of B e o Surtees TS16 do belga Marc Devis, com este último a ficar mais tarde pelo caminho.
Havia outros: O Surtees TS16 que foi pilotado por José Carlos Pace e Derek Bell nos anos 70, o Matra MS120 também dessa década, ou o Trojan T103, único exemplar existente com que o Tim Schenten disputou 8 GP em 1974. No final a classificação não sofreu mais modificações onde a luta pelo terceiro lugar e sobretudo a sonoridade de cada máquina foram os maiores motivos de atração.
Um evento que deixa Diogo Ferrão, responsável da Race Ready, muito satisfeito: “Conseguir trazer fantásticos 14 F1 ao nosso país, num ano difícil onde as viagens internacionais são complicadas é uma vitória. Foi um desafio enorme, mas o balanço é extremamente positivo. Tivemos excelentes corridas e demos a possibilidade ao público de assistir à distância de toque. Foi uma iniciativa de muito sucesso e que esperamos repetir. Para o ano sem pandemia e sem limitações de público, esperamos conseguir fazer ainda melhor!”
Classic Endurance Racing 1
A Classic Endurance Racing 1 é dedicada ao período entre 1966 e 1974 (1971 para os protótipos) numa altura em que as provas de resistência estavam quase no pináculo do automobilismo, que sempre foi a Fórmula 1. Era a época dos Ford GT40, Porsche 910, Ferrari 512, Jacky Ickx, Henri Pescarolo, Gérard Larousse, e não era só nas 24 Horas de Le Mans, pois o Campeonato do Mundo de carros de Sport da altura era qualquer coisa de fantástico.
No Estoril, na corrida única de uma hora, o triunfo foi para Armand Mille (Lola T212 1970) que bateu Steve Brooks/Martin O’Connell (Lola T70 MK III 1968 ) por 4.995s, com John Emberson (Chevron B19 1971) no pódio a 51.768s. Esta corrida terminou com um nome bem conhecido dos portugueses em 25º, o Chevron B16 de 1970 de Francisco Sá Carneiro, filho mais velho do mítico Primeiro Ministro de Portugal de 1980. Fernando Espirito Santo/Ricardo Bravo (Porsche 911 Carrera RSR 3.0 1975) marcaram presença mas não arrancaram para a corrida.
Classic Endurance Racing 2
A Classic Endurance Racing 2 é uma extensão da 1, e inclui os GT e Protótipos de meados dos anos 70 até ao início dos anos 80. Grandes máquinas das corridas de resistência que colocaram toda a sua potência em pista. Maxime Guenat, em Lola T286 1976, venceu a corrida, 13.055s na frente de Yves Scemama (TOJ SC304 1976) e Dominique Guenat (TOJ SC303 1978) que terminou a 34.587s do vencedor. Estes carros ficam para a história como os primeiros passos dos carros de cockpit fechado com soluções aerodinâmicas radicais como os Inaltera, Rondeau, WM e Lola, sendo carros que antecederam a era dos Grupos C.
Endurance Racing Legends
Com história portuguesa, uma especial menção para o Porsche 996 GT2 com que os portugueses irmãos Mello Breyner fizeram as míticas 24h de Le Mans. O carro alemão estará inserido na grelha do Endurance Racing Legends. Especial menção também para o Dallara SP1 2002, que na época foi conduzido por Pedro Lamy, a conquistar a Pole Position nos Endurance Racing Legends.
1ª corrida: Tudo começou com uma boa corrida dos Endurance Racing Legends. Modelos que nos anos 90 e 2000, correram no Campeonato do Mundo de Resistência, hoje em dia denominado WEC. Com uma grelha de 18 variados exemplares com muita história, foi um sport-protótipo com uma costela portuguesa a vencer a prova. O Dallara SP1 que em 2002 fora conduzido por Pedro Lamy cruzou a meta em primeiro lugar com James Cottingham e Max Girardo aos comandos do carro com a decoração Playstation. Mike Newton e Marc Jully completaram o pódio da mais moderna categoria presente no Estoril Classics.
Group C
Os Grupo C Racing foram introduzidos em 1982 mediante um regulamento que dava primazia ao consumo de combustível, com o intuito de impedir os construtores de desenvolver carros com motor turbo cada vez mais potentes e os Grupos C foram a resposta. No Estoril, e do mundo da Fórmula 1 para correr num Group C, Zak Brown e Martin Brundle. O CEO da McLaren regressou ao Estoril Classics com o seu Jaguar XJR-10 com o antigo piloto de Fórmula 1 e agora comentador da modalidade, Martin Brundle.
As duas corridas foram muito interessantes, os Group C proporcionaram um bom espetáculo, mas a primeira corrida foi bem melhor. Aí, os dois Jaguar XJR assumiram o protagonismo da corrida. Com o jovem Oliver Galant a sair vitorioso sob a dupla Zak Brown/Martin Brundle. O ex-piloto de Fórmula 1 sobrepôs-se bem ao seu adversário que tinha o carro decorado com as míticas cores da Silk Cut Jaguar, mas quando Zak Brown entrou em pista, já o fez atrás de Galant e a partir daí a margem foi sempre subindo, terminando com 41.842s. Tony Sinclair no Spice SP90 subiu ao lugar mais baixo do pódio.
Já na segunda corrida, o Jaguar XJR com as cores da Castrol, de Zak Brown e Martin Brundle, nem sequer saiu das boxes com problemas no escape, pelo que a segunda corrida foi ainda mais um passeio para Olivier Galant, que no seu XJR12 bateu Bertrand Rouchaud/Antoine Weilolmas GLT 200 por 1:31.245s. É absolutamente fantástico ouvir e ver estes carros em pista, até porque lá para os meio do pelotão houve sempre interessantes lutas em ambas as corridas, especialmente na primeira.
Heritage Touring Cup
No Heritage Touring Cup, potentes máquinas que disputaram o Europeu de Turismos de 1966 até 1984, com belíssimos carros como Ford Escort, Capri, BMW 3.0 CSL, 635 CSI, Alfa Romeo GTV6, entre outros. Na corrida de uma hora, o suíço Maxime Guenat (Ford Capri RS 3100 de 1974) bateu um seu compatriota, Yves Scemama (Ford Capri RS 3100 1974) por 1.943s, com o alemão Franz Wunderlich (BMW 3.0 CSl 1974) a 2.451. Zak Brown, o CEO da McLaren foi quinto, no seu Ford Capri RS 3100 de 1975, a 28.873s do vencedor.
Sixties Endurance
A Sixties Endurance é uma competição dedicada aos automóveis Sport pré-1963 e GT pré-1966 pelo que sep pode ver em pista carros do Campeonato do Mundo dessa época. Na corrida com maior duração do evento, duas horas. Três Shelby Cobra nos três primeiros lugares. Richard Cook/Harvey Stanley (Shelby Cobra 289 1963) terminaram com 1.689s de avanço para James Cottingham/Max Girardo (Shelby Cobra 289 1964), com Charles Firmenich/Henry Moser (Shelby Cobra 289 1964 a 1:17.052 dos vencedores. Michael Birch/Gareth Burnett, em Lotus XV 1958, foram quartos classificados a mais de uma volta. Uma corrida muito renhida desde início na discussão dos lugares cimeiros, foram várias as trocas de posição.
The Greatest Trophy
A The Greatest Trophy, competição aberta automóveis que deixaram a sua marca nas provas de resistência dos anos 50 e 60, pelo que em pista foi possível ver alguns ícones da época de ouro das grandes marcas: Maserati 300S, Ferrari 250 GT Berlinetta, Alfa Romeo TZ, Aston Martin DB4 GT, Mercedes Benz 300 SL, Porsche 550, entre outros. De notar que todos estes carros foram produzidos em número limitado pelo que o seu valor continua a aumentar, e já passaram décadas. Na primeira corrida, Dirk Ebeling/Leon Ebeling (Bizzarrini 5300 GT 1965) bateram Christian Bouriez (Bizzarrini 5300 GT 1965) por 21.377s enquanto na segunda, a classificação inverteu-se com Bouriez a bater os Ebeling por 2.280s.
2.0L Cup
Na corrida da 2.0L Cup, disputada com os Porsche 911 de chassis curto, todos com homologação FIA pré-1966, o triunfo foi para Mark Sumpter e Andrew Jordan que bateram Xavier Dayraut por 35.926s.












