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Rally Raid Portugal, SS4: Alexandre Pinto dilata avanço nos Challenger

José Luis Abreu by José Luis Abreu
21 Março, 2026
in TT, W2RC
A A

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 Nos Challenger Alexandre Pinto / B. Oliveira (Taurus T3 Max/Old Friends Rally Team) somam e seguem, venceram novamente uma etapa, voltaram a bater Charles Munster / Xavier Panseri (KTM X-Bow/G Rally Team) agora por 37s com Pedro Gonçalves / H. Magalhães (Taurus T3 Max/BBR Motorsport) em terceiro na frente de Rui Carneiro / Fausto Mota (KTM X-Bow/G Rally Team) e Marco Pereira / Eurico Adão (Can-Am Maverick X3/Metalmarinha Racing).
Na geral, Alexandre Pinto dilata um pouco mais o avanço passando-o de 4m14s para Charles Munster, colocando a margem em 4m51. Os grandes protagonistas iniciais desta prova, Ricardo Porém / Nuno Sousa (Kaizen 51/Cattiva Sport) voltaram a ter problemas a atrasar-se. É pena pois estavam a fazer uma prova ‘enorme’.

Filme do dia
Alexandre Pinto transformou esta especial em mais um capítulo de afirmação na Challenger, liderando desde o primeiro metro, resistindo a todos os ataques e chegando à zona decisiva do troço a discutir a vitória num final de cortar a respiração, frente a Charles Munster e Mitchel van den Brink. O português, em estreia na categoria, confirmou ao longo do dia porque chegou a Portugal na liderança da geral da Challenger e já dentro do top 15 absoluto entre os protótipos FIA.
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A história começa com Pinto a assumir, sem hesitações, o papel principal. Primeiro a entrar na especial, parte ao ataque com o Taurus EVO MAX da Odyssey Academy by BBR e leva consigo o peso da liderança da Challenger e da classificação geral da categoria, com Munster a mais de quatro minutos e Ricardo Porém a mais de onze.
A diversidade do pelotão dá o tom da batalha: três máquinas diferentes no topo — o Taurus de Pinto, o G-Ecko de Munster ligado ao programa KTM X-Bow e o Kaizen S1 de Porém, com chassis próprio e motor VW — desenham o equilíbrio e o apelo técnico da classe.
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Pouco depois, o filme ganha textura de bastidores. Munster lança o seu KTM X-Bow Challenger à especial, trazendo consigo a história de um projeto reconstruído: os antigos OT3 de Overdrive passados para as mãos da estrutura de Guillaume de Mévius, depois a aposta no X-Bow, numa KTM obrigada a encolher e a ceder direitos, e uma equipa luxemburguesa a pegar no legado “laranja” para o transformar em arma de futuro.

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Pinto, entretanto, mostra que não está ali apenas para gerir: volta a aparecer nos parciais entre os mais rápidos à geral, com o sétimo melhor tempo absoluto aos 41 km, e lembra que há dois dias já tinha ganho uma especial na Challenger e se juntado ao clube restrito de pilotos com vitórias em duas classes FIA, feito que João Ferreira já tinha levado mais longe ao triunfar no Ultimate entre Grândola e Badajoz.
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No primeiro “ato” competitivo da especial, o duelo interno português ganha corpo. Aos 41 km, Pinto e Porém voltam a encontrar-se em pista e no cronómetro, replicando o braço-de-ferro da etapa 2: o Taurus do campeão SSV de 2025 na frente, o Kaizen apenas oito segundos atrás, numa luta que deixa os dois separados por décimas e arrasta consigo a perseguição pelo terceiro lugar, com van den Brink e Munster a menos de meio minuto. O retrato é claro: quatro carros, quatro estilos, todos a menos de meio minuto, com dois portugueses a ditar o ritmo.
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À medida que a especial avança, o guião reforça a ideia de que nada está garantido até à linha. Aos 166 km, Munster derruba Pinto da liderança da etapa e coloca o G-Ecko no topo da classificação parcial, com os quatro primeiros comprimidos em menos de dois minutos: o Taurus de van den Brink a 14 segundos, o de Pedro Gonçalves a 1’36’’ e o de Pinto a 1’57’’. O português deixa de comandar a especial, mas mantém-se dentro da zona de decisão, sempre com margem suficiente para proteger o estatuto na geral.
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Mais à frente, o enredo dá nova volta e confirma porque esta foi uma das etapas mais intensas da semana para a Challenger. Aos 190 km, Mitchel van den Brink torna-se o terceiro piloto diferente a liderar a especial, passando para a frente por dois segundos sobre Munster e abrindo mais de um minuto e um quarto para Pinto, agora forçado a reagir na parte final. A luta pela vitória de etapa transforma-se numa espécie de “jogo de cadeiras” a alta velocidade, com cada parcial a trocar a ordem dos protagonistas.
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Na abordagem ao último setor cronometrado, a câmara aproxima-se dos três carros que vão decidir tudo. Já perto dos 283 km, Pinto, Munster e van den Brink surgem praticamente colados, separados por meros segundos na derradeira zona de cronometragem antes da meta. O belga-luxemburguês, o neerlandês vindo dos pódios do Dakar em camião e o português em estreia na Challenger revezaram-se na liderança ao longo da especial e chegam ao fecho como se a prova começasse de novo naquele ponto. Cada travagem, cada aceleração e cada nota de roadbook passam a valer uma etapa inteira, numa corrida até à linha em que nenhum deles abdica de atacar até ao último metro.
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Entre estes focos na frente, a narrativa portuguesa ganha também um lado de drama técnico, com Ricardo Porém a ver a sua jornada beliscada por problemas elétricos que o afastam da luta direta pela vitória. Ainda assim, o dia fecha com a confirmação do essencial: Pinto sai da especial como um dos homens do momento da Challenger, sólido na liderança global da categoria, protagonista de mais uma tarde em que o público português viu um compatriota comandar o desenrolar da ação, quilómetro após quilómetro, perante a pressão de nomes e projetos internacionais que não lhe pouparam um único segundo.

Tags: Rally Raid Portugal
José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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