O bp Ultimate Rali Raid Portugal foi palco de um feito histórico para o desporto motorizado nacional, ao consagrar Bernardo Oliveira Campeão do Mundo de Navegadores Rali-Raid na categoria SSV.
Com apenas 20 anos e natural de Fafe, este jovem concilia os estudos de mestrado em economia em Boston com a exigência das pistas do Campeonato do Mundo de Rali Raid (W2RC), onde se senta ao lado de Alexandre Pinto.
A conquista, celebrada com o Padrão dos Descobrimentos como pano de fundo, marca um momento inédito na história do automobilismo português.
A emoção era palpável nas palavras do novo campeão. “Honestamente, ainda não me caiu a ficha, custa até a acreditar que sou Campeão do Mundo. Estou muito feliz por toda a equipa. E digo equipa porque isto é um trabalho coletivo: estivemos juntos durante todo o ano. Esperávamos poder celebrar aqui; felizmente, aconteceu. É a primeira época no campeonato do mundo e estou feliz por ser campeão em Portugal. Acredito que vamos fechar o título de pilotos em Marrocos”, revelou Bernardo Oliveira, visivelmente emocionado.
A dureza do percurso e o olhar no futuro
O Rali Raid Portugal, carinhosamente apelidado de “Dakar europeu”, demonstrou ser um evento de tirar o fôlego, com os pilotos a percorrerem mais de 1.119 quilómetros cronometrados em estradões de terra do Alentejo, Ribatejo e Estremadura Espanhola. Nas motos, Daniel Sanders (KTM) não só venceu a prova como também se sagrou Campeão do Mundo de Pilotos Rali-Raid. Na categoria de carros, o brasileiro Lucas Moraes (Toyota Hilux T1+ EVO) triunfou por uma margem mínima de 53 segundos sobre o sul-africano Henk Lategan (Toyota Hilux T1+ EVO), com Sébastien Loeb (Dacia) a fechar o pódio. O evento também celebrou as vitórias portuguesas, com Gonçalo Guerreiro a destacar-se na categoria Challenger e João Dias a conquistar o triunfo nos SSV.
A jornada até ao título foi árdua e repleta de novos desafios. “É um enorme sucesso e um sonho. Se me dissessem há dois anos que estaria aqui, quando comecei a andar com o Alexandre, provavelmente não acreditaria, mas é uma sensação muito, muito positiva. Estou um pouco sem palavras, nem sei bem o que dizer. Foi muito duro chegar até aqui e, desde o Dakar, vejo o mundo a correr em pistas que nós nunca tínhamos conhecido: Abu Dhabi, África do Sul, Baja Aragón. Tem sido um ano único e esperemos que estejamos cá mais anos para repetir”, acrescentou. Com o olhar já na próxima etapa, Oliveira sublinhou o foco em apoiar o seu piloto: “Agora, é ajudar o Alexandre, falta uma prova, temos de abordar a corrida como abordámos aqui em Portugal, creio, porque não precisamos de arriscar nada, queremos terminar e trazer os dois títulos para Portugal.” O “Dakar europeu” está de regresso a Portugal, entre os dias 17 e 22 de março de 2026, prometendo mais emoções fortes.











