2015 marcou o regresso do Rali da Tunísia, quatro anos após a sua última realização, em 2011. A prova chegou a estar delineada no ano seguinte mas a NPO, então organizadora do evento, acabou por a cancelar em virtude de dificuldades relativas à segurança para a sua realização. Já em 2011 o rali havia sido realizado quando o país se encontrava em ‘clima’ de revolução.
Porém, num evento que se quer reerguer, as coisas não estão a correr pelo melhor neste regresso. Paulo Rui Ferreira (autos) e Hélder Rodrigues (motos) são os únicos representantes nacionais neste evento, com o piloto da Toyota Hilux Overdrive a abandonar ao km 25 da terceira etapa, após ter ficado magoado nas costas, na sequência de um salto numa duna, enquanto Hélder Rodrigues, em WR450F Rally, lidera o nas duas rodas desde o primeiro dia.
Sobre esta prova, o AutoSport esteve à conversa com Paulo Rui Ferreira, piloto que teceu várias críticas aos moldes em que o Rali da Tunísia foi concebido.
Para o piloto, a prova “está a ser uma barbaridade completa, não faz sentido absolutamente nenhum. A etapa de anteontem foram182 km de trial em muito más condições, algo quase impossível de se fazer, enquanto na de ontem nenhum carro a conseguiu acabar, apenas dois UTV e um Buggy”, explicou o piloto.
“Hoje as coisas não se alteraram e estava previsto uma volta de manhã a ser repetida à tarde, mas acabaram por anular a da tarde para verem se algum carro chegava ao fim. Está a ser demolidor, as pistas, não sei como as escolheram, porque fazemos centenas de km fora de pista, em sítios intransponíveis, de uma dificuldade extrema tanto para máquinas como para pilotos. Não sei qual a base de trabalho que tiveram para fazerem um percurso destes, não tem nada de condução é pura e simplesmente para resistir às dificuldades e para transpor cada obstáculo”, acrescentou.
Numa comparação direta com outras provas de dificuldade reconhecido, e à luz da experiência dos pilotos lusos, Paulo Rui Ferreira lembrou que “já fiz o Africa Eco Race e isto não tem nada a ver, nunca fiz nada sequer parecido. Ontem estive a falar com o Hélder Rodrigues e ele, que tem muitos Dakar e muitos anos disto, também disse que nunca viu nada assim, as pistas e os percursos são praticamente impossíveis de transpor. O Hélder dizia que, quando passava em alguns sítios, pensava em como era possível carros passarem ali, já que ele, com a mota, tinha tanta dificuldade”, finalizou Paulo Rui Ferreira.









