Ao longo de 30 anos, o Dakar tinha conseguido sobreviver a tudo. À morte do seu criador, aos trágicos acidentes envolvendo concorrentes, às pistas do Níger e da Argélia, ao deserto do Ténéré, às minas que explodiam em Marrocos, às guerrilhas armadas e ao banditismo, aos conflitos regionais nos países limítrofes, às pressões ambientalistas, à supressão de etapas, às mudanças de percurso, até mesmo a uma gigantesca ponte aérea que parou o rali durante cinco dias. A tudo o Dakar tinha resistido. Às vezes tremendo, é certo, mas nunca se vergando.
Desta vez, porém, o terrorismo falou mais alto e o Dakar sucumbiu, pela primeira vez, à guerra do medo, deixando a nu todas as fragilidades de uma prova que, por estar demasiado exposta ao mundo, se tornou num alvo privilegiado de todas as ameaças.
A crescente mediatização do Dakar, os sucessivos recordes de presenças, a própria previsibilidade do percurso a isso ajudaram. Pior que isso, é saber que se abriu agora um perigoso precedente cujas dimensões estão ainda por apurar. Afinal, é a primeira vez que um evento desportivo à escala global é anulado por receio de atentados terroristas.
Será este o fim do Dakar, como alguns já pronunciam, ou apenas o início de uma nova era, com a passagem para um novo e mais pacífico continente? É a pergunta a que ninguém sabe responder neste momento…












