A quarta jornada do W2RC, o Rally Raid Portugal, assistiu à consagração de Gonçalo Guerreiro.
Ao volante de um Taurus e integrado na bp Ultimate Adventure Team, o jovem piloto português não só venceu a categoria Challenger, como também conquistou a derradeira etapa da prova, solidificando uma prestação notável. A sua performance valeu-lhe ainda um impressionante 6.º lugar na classificação geral absoluta, a meros 20 segundos do atual campeão do mundo, e a distinção de ser o melhor português na exigente prova organizada pelo ACP.

Gonçalo Guerreiro expressou a sua enorme satisfação no final da corrida: “Este foi um grande resultado. Estou muito contente. Vencemos a Categoria Challenger, lideramos praticamente desde a primeira etapa até à última.
Vencemos com uma vantagem de quase 17 minutos, o que me deixa muito contente.
A equipa fez um excelente trabalho. Quero agradecer a todos os mecânicos e em especial ao Nasser Al-Attiyah a oportunidade de estar na sua equipa.
O ACP e a bp fizeram um excelente evento e tenho a certeza que todos os concorrentes partilham desta opinião. O próximo passo é pensar nas próximas corridas porque esta já terminou e estou bastante contente”, afirmou o piloto.
Desafios superados e um desempenho ao nível das equipas oficiais
Apesar do triunfo, o percurso até à vitória não foi isento de dificuldades, exigindo adaptação e resiliência por parte da dupla. “Não foi uma prova perfeita, mas tivemos de nos adaptar às circunstâncias. Não houve dias fáceis, nem para mim, nem para o meu navegador; algumas vezes para um, outras para o outro. Houve sempre pequenos contratempos, quer de navegação quer de ritmo,” revelou Guerreiro, sublinhando a natureza imprevisível do rali-raid. No entanto, o seu desempenho foi consistentemente elevado: “Andámos praticamente toda a prova ao nível das equipas oficiais e os resultados falam por si. Fizemos um grande trabalho, chegámos a fazer tempos do Nasser — e isso quase ninguém consegue.”
O piloto abordou também as condições de prova, nomeadamente a questão do pó: “É claro que fomos prejudicados pelo pó em todas as especiais, assim como todos os outros Challenger e SSV, mas pronto, são as regras que temos. Perdemos o 5.º lugar absoluto por 20 segundos e lembro-me que tivemos muito tempo perdidos no pó, mas é o que é. Se tivéssemos partido na frente, poderíamos ter feito um top-5 ou até um top-4. Mas fizemos um excelente rali e isso serve-nos de motivação.”
Consistência, vitória de etapas e o próximo horizonte
A consistência foi uma marca da prestação de Gonçalo Guerreiro, que manteve a liderança da corrida sem nunca a ceder. “Tivemos um bom rali. Não foi perfeito, a condução não foi perfeita, cometemos alguns erros. Tivemos alguns problemas técnicos também, que nos atrasaram no carro, mas sempre foram coisas pequeninas e conseguimos solucionar, felizmente. Mas, na globalidade, foi um bom rali. Estivemos praticamente sempre na liderança da corrida e nunca a largamos. Depois, construímos uma vantagem grande, não precisávamos de forçar, mas ainda assim eu quis terminar em grande e para isso tinha que vencer a etapa. Venci a etapa, vencemos duas etapas e o prólogo, portanto, foi um excelente rali para nós.”
A gratidão à equipa foi um ponto central nas declarações do piloto: “Tenho muito a agradecer à equipa que fez um excelente trabalho. São ótimos profissionais. Nunca tinha trabalhado com mecânicos tão profissionais na minha vida, acho eu. Já tive em boas equipas. Estou bastante contente, agradecido pela oportunidade que me foi dada pelo Nasser Al-Attiyah de estar a conduzir pela equipa dele e espero que o tenha feito sentir orgulhoso.”
Olhando para o futuro, Gonçalo Guerreiro já pensa nos próximos desafios, nomeadamente no Campeonato de Portugal de Todo-o-Terreno (CPTT), onde antecipa uma luta renhida: “Sim, temos uma boa luta, uma luta saudável com o João (Ferreira). O campeonato vai ficar bem entregue seja a mim seja a ele, mas claro, vou tentar levar a melhor. Tendo em conta as provas que são, Portalegre e Lagos, vai depender muito da meteorologia e do tipo de percurso… Claro! Mas enfim, vamos é dar o nosso melhor, foi para isso cá viemos também e fomos bem-sucedidos. Estou muito orgulhoso.” Quanto ao Dakar, o piloto mantém a expectativa: “Temos que esperar. Ainda não sei, logo se vê o que vai dar…”









