Nasser Al Attiyah regressa ao Dakar 2026 com “particular vingança”, ainda que não o admita abertamente.
Duas razões: passaram dois anos desde a última vitória no evento, e o desconforto da perda do título mundial W2RC (que teria sido o seu nono geral) na reta final do Rali de Marrocos, devido a uma penalização por excesso de velocidade.
O qatari, aos 55 anos, enfrentará a edição saudita com um novo navegador, Fabian Lurquin, numa troca com o seu colega de equipa Sébastien Loeb. A parceria foi consolidada durante as duas últimas rondas do campeonato mundial.

Nasser Al Attiyah: cinco Dakar vencidos, quatro décadas de desporto
Al Attiyah estreou-se no Dakar em 2004 com um Mitsubishi, terminando em 10º lugar. Desde então, venceu em três veículos diferentes: Volkswagen Race Touareg (2011), Mini (2015) e Toyota (2019, 2022, 2023).
Antes de se dedicar exclusivamente ao automobilismo, o qatari perseguiu duas paixões ao mais alto nível: corrida e tiro desportivo. Competiu em seis Jogos Olímpicos e conquistou a medalha de bronze em Londres 2012. Porém, a decisão de focar exclusivamente no projeto Dacia levou-o a encerrar essa carreira paralela — apesar de ter ainda participado na reta final do WRC na Arábia Saudita em 2025.
Após uma temporada e meia com Édouard Boulanger, o bicampeão mundial procura renovar-se com Lurquin.
Fabian Lurquin: herança de sucesso e cinco pódios
Fabian Lurquin, natural de Liège, segue os passos do seu pai Jean-Marie, navegador de Jean-Louis Schlesser que terminou terceiro no Dakar 2004. O belga estreou-se no evento em 2005 com o piloto chinês Lang Xu (44º lugar).
A primeira vitória em etapas chegou em 2019 com Mathieu Serradori, após retorno à prova após longa pausa. Antigo piloto de companhia aérea, Lurquin ganhou reputação junto de Sébastien Loeb, que procurava novo navegador após cinco edições com Daniel Elena (seu colega durante os títulos de WRC). A dupla Loeb-Lurquin terminou segunda em 2022. Com Al Attiyah, Lurquin testou-se em Portugal e Marrocos, mas falhou na missão de conquistar o título mundial para o colega. O navegador belga conquistou cinco pódios no Dakar e sonha atingir o primeiro lugar.
Ambições 2026: volta ao topo
Al Attiyah projetou otimismo: “Esta edição do Dakar deve ser soberba. Somos muito afortunados em estar na Arábia Saudita — as paisagens são incríveis. É perfeito para o Dakar. Tenho a certeza que o traçado será verdadeiramente fantástico.”
O objetivo é direto: “Ganhar. Temos uma equipa poderosa, e tenho a certeza que estaremos prontos. Vamos ajudar-nos mutuamente para vencer. A mudança significativa é ter um novo navegador, Fabian. Confio completamente nele e já competiu em todos os Dakar na Arábia Saudita. Tem muita experiência.”
Al Attiyah reconheceu o peso de 2025: “No ano passado tivemos um dia mau. Se removermos esse dia mau, poderíamos ter vencido o Dakar.”
Lurquin: superação do desapontamento
O navegador belga não escondeu a frustração: “É difícil olhar para trás no final daquele rali. Mais que nada, o objetivo era ganhar o título para o Nasser. E falhamos.”
Lurquin reconheceu as lições extraídas: “Este desporto oferece momentos de pura alegria, mas também reveses. Quando tudo se alinha perfeitamente, é mágico. Mas quando não funciona, dói. Perder não é uma opção — aprendemos. E já nos estamos a preparar para o próximo.”
A reflexão foi incisiva: “Realizes como tudo depende dos detalhes, e não se pode ignorar nenhum deles. Mas também percebes como tens sorte. Porque este é o carro e a corrida em que quero estar, e em nenhum outro lado.”
Dinâmica de equipa Dacia: sinergias de campeões
A formação de Al Attiyah com Lurquin integra-se numa estrutura Dacia que inclui Sébastien Loeb, Cristina Gutiérrez e Lucas Moraes (campeão mundial 2025), criando uma dinâmica coletiva onde a experiência de várias gerações converge para o objetivo comum de domínio da prova saudita.










