Campeonato nacional de TT resiste à crise

Por a 16 Março 2011 11:29

Para este ano, o destaque vai para as novidades introduzidas pela Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK) a nível técnico para ‘equilibrar’ as performances entre carros Diesel e gasolina. Com isto em mente, vários pilotos já apresentaram credenciais, entre os quais Filipe Campos, Nuno Matos, Ricardo Porém, Carlos Sousa e Miguel Barbosa.

A grande novidade, no entanto, é o regresso de Carlos Sousa ao campeonato nacional, depois de algum tempo de agastamento. Por isso mesmo, o piloto parte para a temporada 2011 com alguma cautela para gradualmente subir de forma: “Ficar parado mais um ano só dificultaria um eventual regresso ao próximo Dakar, pelo que me empenhei nestes últimos meses em colocar de pé um projeto que me permitisse lutar por uma posição de destaque no CPTT. A primeira baja será sobretudo para ganharmos ritmo competitivo. Afinal, a última prova que realizei foi já em janeiro do ano passado”, justifica Sousa.

Mitsubishi a dobrar

A nível mecânico, Sousa manteve-se fiel à Mitsubishi, apostando no Racing Lancer (V6 4 litros, gasolina), após ter estudado outras opções (Nissan Overdrive): “Optei pelo Mitsubishi porque conheço bem o carro e o seu enorme potencial competitivo e porque a equipa será liderada pelo experiente Thierry Viardot, antigo diretor técnico da equipa oficial Mitsubishi e um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento deste carro”.

O segundo Mitsubishi Racing Lancer será o de Miguel Barbosa, este ano apostado em dividir a temporada entre TT e Velocidade, já que irá tripular o Mercedes AMG SLS GT3 juntamente com José Pedro Fontes. Depois de um annus horribilis, o piloto de Lisboa até parecia ter tudo preparado para poder encarar com ambições o título, não fosse a presença de Carlos Sousa que, a juntar-se à de Filipe Campos, lhe deverá dificultar a vida.

Campeão T2 aos 21 anos, Ricardo Porém embarca em nova aventura, apostando na categoria T1, um salto de ambição e dificuldades. Trocada a Nissan Navara por um BMW Série 1 Proto, mantém a parceria com o irmão Manuel (vice-campeão nacional absoluto de navegadores em 2010) para um calendário na íntegra (7 provas) e uma possível deslocação à Baja Aragon: “A mudança de viatura foi um grande passo e vamos necessitar da habituação normal a um novo carro. Os nossos objetivos passam por amealharmos o máximo de experiência e evoluirmos mais. Queremos estar mais fortes e confiantes de prova para prova e um resultado nos três primeiros no final do campeonato era fantástico”, vaticina o jovem piloto de Leiria.

Nuno Matos regressa

Porém irá ter como companheiro de luta o piloto a quem sucedeu na categoria, já que depois de conquistar a Taça FIA de Bajas (T2) Nuno Matos aposta numa presença em Portugal, num projeto para T1 com base, também ele, num proto: “Após quatro anos em T8 e T2 e quatro títulos, entendi que era chegada a altura de subir à categoria que representa o expoente máximo. O projeto deste ano assenta num Opel Astra Proto, com chassis tubular e Diesel de 3 litros, com caixa sequencial SADEV de 6 velocidades, uma novidade para mim. Tratando-se do meu ano de estreia nos T1, vamos encarar esta época como uma espécie de ‘ano zero’. Afinal vou passar, pela primeira vez, de um jipe de série para um verdadeiro carro de corridas…”, relembra. Tal como o seu sucessor em T2, incursões a Espanha não estão excluidas da agenda.

Cara nova será a de Sérgio Marques, piloto de Viseu que se estreou no TT nas 24 Horas de Fronteira de 2010 e adquiriu a Nissan Navara com que Ricardo Porém foi campeão. “Pilotar um carro ‘campeão’ não é uma pressão, pois esta vai ser a minha época de estreia no campeonato. O objetivo é andar o melhor possível e terminar provas”, explicou.

Será este o regresso aos bons velhos tempos?

Filipe Loureiro 

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