Autor de uma prova sem mácula até então, Luís Ferreira não teve a sorte pelo seu lado nesta primeira edição do Dakar sul-americano. E, apesar de ter lutado contra o tempo para reparar os danos causado à moto com a esperança de chegar à zona de partida antes de ser tarde de mais, os muitos quilómetros que tinha pela frente para conseguir terminar a 4ª etapa não permitiram que isso acontecesse.
“Não consegui chegar a tempo ao acampamento. O meu objectivo era mesmo chegar ao fim deste rally, um sonho que fica por concretizar no próximo Dakar, espero eu”, começou por explicar o piloto, visivelmente desiludido.
“É muito difícil lidar com a desilusão mas faz parte e quem corre nestas provas sabe que da mesma forma que pode correr bem, pode correr mal. É frustrante porque para uma primeira participação no Dakar, até estava a andar bem. Estava a gostar muito e sabia que na 5ª etapa teria que enfrentar muitos quilómetros de dunas, um percurso duro mas que ia gostar muito. Não sei que mais dizer, vou ficar por cá e apoiar o Pedro. Viemos cá como uma equipa e vamos regressar à casa uma equipa também.”
Quanto ao seu colega de equipa, Pedro Bianchi Prata, arrancou para a etapa em 71º lugar, chegou ao CP2 em trigésimo primeiro e acabou em 35º, em mais um grande resultado, com uma consequente subida na classificação geral para quadragésimo quarto e que ainda poderá melhorar, caso a organização deduza os cerca de 45 minutos que o piloto esteve parado na 4ª etapa com João Rosa. Coerente, consistente e sempre a preservar a sua BMW G 450 X, o piloto portuense continua optimista e confiante, apesar de ter classificado a etapa de hoje como “a mais difícil até agora”.
“Hoje foi um dia muito, muito duro. Foram muitas horas a andar sempre muito concentrado para evitar erros e para ganhar terreno. Andei sempre com um ritmo certo, quis preservar a moto”, observou.
Prata teve na parte final, a sua melhor fase, o que o piloto explicou também: “não quis estar a desgastar-me logo de inicio quando sabia que o fim da especial seria a parte mais exigente a nível físico. Os últimos 80km foram de dunas e muita areia, que depois de andar tantas horas seguidas acabou por ser complicado”.
Para amanhã, as dificuldades não prometem ser menores. “Amanhã também começamos com cerca de 60km de dunas portanto já deu para perceber com o que vamos contar! O cansaço começa-se a sentir, mas estou bem, com força e motivado para chegar ao fim entre os lugares da frente.”













