O que tem ocorrido com os novos kits Rally2-WRC, instituídos pela FIA, é mais um exemplo das dificuldades que a federação tem enfrentado para finalizar os regulamentos do WRC de 2027. Embora a base e o espírito das regras tivessem ficado claros desde cedo — carros substancialmente mais económicos e com um desempenho competitivo próximo dos atuais Rally2 —, muitas foram as zonas cinzentas que permaneceram por esclarecer.

Um bom exemplo desta indefinição é precisamente o kit Rally2-WRC. Os veículos Rally2 que não estejam equipados com estes kits competirão no WRC2, na categoria RC2. No entanto, as equipas rapidamente perceberam que os componentes deste kit, revelados a 23 de junho passado com um preço fixado em 7500 € — um novo aileron traseiro, guarda-lamas e um para-choques dianteiro evoluídos, tudo com o efeito de reduzir o peso do carro em 10 kg —, eram totalmente insuficientes para distinguir o desempenho dos carros equipados com o kit de um Rally2 “normal” sem ele. Para ilustrar, bastaria que os Rally2 sem kit encontrassem a estrada mais limpa para facilmente se superiorizarem (dependendo, claro, da pilotagem) aos carros que possuíam o kit. Esta situação gerou grande parte da hesitação por parte de marcas como a Hyundai, Skoda e Lancia.
Assim, na reunião da Sardenha, ficou acordado que os kits Rally2-WRC iriam evoluir. A solução encontrada foi no motor, através do restritor, que terá mais 1 mm na admissão de ar a montante do turbo, passando de 32 para 33 mm, um valor idêntico ao dos WRC27 (referindo-se aos carros da categoria principal de 2027). Com esta alteração, o desempenho do motor dos Rally2 equipados com este kit poderá ser significativamente aumentado e, para além da aerodinâmica e do peso, estes veículos poderão apresentar prestações consideravelmente superiores aos Rally2 não equipados com o kit. Segundo as estimativas, os Rally2 com kit ganharão entre 15 e 20 cavalos em relação aos Rally2 sem kit.
Até ao momento, apenas a M-Sport confirmou a sua intenção de incluir este kit, enquanto a Hyundai e a Lancia ainda estão a ponderar esta hipótese. Um dos pontos de bloqueio em relação ao kit dizia respeito à obrigação de inscrever dois carros em todas as provas do calendário. Nem a Hyundai, nem a Lancia, nem a Škoda eram favoráveis a esta exigência, e por uma boa razão: para além do aspeto financeiro, o kit, na sua primeira versão, não proporcionava um desempenho suplementar suficiente em comparação com os Rally2.
Esta evolução poderá, portanto, influenciar a decisão das marcas, que não precisam de se apressar, uma vez que os construtores que decidam homologar o Kit Rally2-WRC para a categoria principal poderão fazê-lo a qualquer momento do ano em 2027 e 2028. Desta forma, se um construtor não estiver, atualmente, pronto para dar o passo, poderá fazê-lo mais tarde e homologar o seu carro a meio da época.








