O relógio de partida, hora local de Marrocos, indicava 9h53, mas na linha de partida não estava o Camião MAN de Elisabete Jacinto, já que não foi possível à equipa resolver em tempo útil o problema com o diferencial dianteiro.
Era possível substituir a peça, mas esta só estava disponível em Casablanca, pelo que a equipa não pode continuar em prova. Pelo segundo ano consecutivo, Elisabete Jacinto fica pelo caminho bem antes de Dakar: “Vínhamos a andar muito bem quando a certa altura ouvimos um barulho. Fizemos mais alguns quilómetros, mas o ruído começou a acentuar-se e parámos para ver o que era. Foi aí que percebemos que o diferencial da frente tinha partido. A partir desse momento fizemos o restante percurso com a tração às duas rodas o que significa que tivemos que rolar mais devagar e foi mais difícil terminar a especial. Ainda assim conseguimos imprimir um bom ritmo até ao fim e agora temos que tentar resolver o problema para amanhã podermos arrancar novamente”, revelou a portuguesa ontem. Mas isso não aconteceu.
Elisabete Jacinto, José Marques e Marco Cochinho saem de prova quando estavam no quinto lugar, para onde caíram depois das duas horas perdidas ontem, isto depois de mostrarem andamento para o pódio. São assim as corridas e agora a equipa vai seguir a prova, extra-competição e rumar a Dakar.
“Esforçámos-nos ao máximo por encontrar uma solução para o nosso problema e empenhámos-nos em arranjar um diferencial. Falámos com os concorrentes que tinham camiões iguais ao nosso mas nenhum deles tinha a peça. Contactámos com o importador em Portugal e havia uma possibilidade de mandar vir a peça de Casablanca. A nossa ideia era fazer a reparação no dia de descanso e continuar na corrida a partir da Mauritânia. Mas por causa do fim-de-semana essa hipótese foi desde logo inviabilizada porque necessitavam de pelo menos quatro dias úteis para enviar a peça. Agora a nossa opção é prosseguir até Dakar. O Marco e o Hélder arranjaram uma forma de por o camião a rolar por estrada, o que também foi uma experiência inédita. Tenho mesmo muita pena do que aconteceu porque pela primeira vez os amortecedores estavam excelentes o que me permitia andar bastante rápido. O Zé estava a navegar na perfeição e tudo a corria lindamente quando este desaire sucedeu. Foi de facto uma enorme frustração para todos”, revelou a piloto.
Hoje cumpriu-se a quarta etapa do Africa Race que teve uma longa especial de 499 quilómetros cronometrados. Amanhã a caravana chega a Dahkla, onde a prova realiza, no domingo, o habitual dia de descanso para depois partir para a Mauritânia. O rali termina no dia 14 em Dakar com a disputa da mítica especial cumprida nas margens do Lac Rose.











