Nyck de Vries conquistou a sua primeira vitória à geral nas 24 Horas de Le Mans, e foi ele o único do line up vencedor desta edição a alcançar esse marco. Integrando a tripulação do Toyota GR010 Hybrid número 7 ao lado de Kamui Kobayashi e Mike Conway, acabou por vencer numa das edições mais dramáticas e ‘apertadas’ da clássica de endurance, com a Toyota a garantir o triunfo com uma vantagem de apenas 11 segundos sobre a concorrência direta. O feito representa um marco simbólico na carreira de De Vries, que se estreou no degrau mais alto do pódio do circuito de La Sarthe após uma corrida decidida no limite regulamentar e estratégico.

Redenção no Endurance após passagem pela F1
A vitória na mítica prova francesa assume contornos de “redenção” para o piloto de 31 anos. Após uma passagem curta e complexa pela Fórmula 1, Nyck de Vries consolidou o seu estatuto no desporto automóvel mundial através da consistência demonstrada no Mundial de Endurance (WEC). O piloto já corria em Le Mans desde 2019 (LMP2 até 2022), passou para a categoria Hypercar em em 2024 com a Toyota Gazoo Racing, foi segundos em 2024, quinto em 2025 e vencedor em 2026.

Em declarações à AutoHebdo, Nyck de Vries não escondeu o sentimento de orgulho e o peso psicológico que carregava antes da partida para a corrida gaulesa: “Todos os meus companheiros de equipa já tinham ganho Le Mans, ao contrário de mim. O primeiro sucesso é sempre o melhor”, admitiu o piloto, sublinhando o forte espírito coletivo da estrutura.
O piloto confessou ainda o elevado nível de stress vivido no paddock durante o turno decisivo comandado por Kamui Kobayashi: “Não olhei para o ecrã na última hora e quinze de corrida. Fui para a minha sala de pausa e não fiz nada a não ser dobrar as minhas roupas nas malas, uma e outra vez, para ganhar tempo. Não queria ver o telemóvel”.
O stress psicológico de um piloto nos momentos finais de uma corrida de resistência pode atingir níveis tão avassaladores que o que se passa na pista se torna insuportável de assistir. Na fase decisiva, quando o triunfo depende quase inteiramente do colega de equipa, a impotência transforma-se num isolamento deliberado, levando o piloto a refugiar-se na tranquilidade das boxes e a canalizar a ansiedade para tarefas mundanas, numa tentativa desesperada de enganar o tempo e evitar o peso do ecrã. Mas valeu a pena a espera…










