Há dias, o Diretor de Ralis da FIA, Jarmo Mahonen, revelou que é intenção da entidade que gere o desporto automóvel de ‘normalizar’ os eventos do WRC, tornando-os menos díspares entre si. Depois de um período em que os organizadores foram convidados a inovar, de modo a que pudessem mostrar as melhores valências das suas provas, Mahonen diz que agora é tempo de esquecer o elemento de endurance dos ralis e torná-los ainda mais ‘rali sprint’. E como? Com troços mais curtos. Que não significa necessariamente menor quilometragem global.
Mahonen nada disse acerca da quilometragem, portanto parte-se do princípio que os ralis vão manter a mesma extensão, sendo que isso significará muito mais troços. Se levássemos o que disse Mahonen à letra, um Rali de Portugal, que teve em 2017, 349.17 km divididos por 19 troços, passaria a ter… 35 troços. Isto seria mau? Para as organizações, mais caro, certamente, mas não é essa a questão que queremos analisar agora. O público, não perdia nada. Ou pelo menos, perdia pouco. Um troço como Amarante, com os seus 37.55 km, poderia dividir-se em três? Passe o exagero e fique a ideia…
Michel Nandan, líder da Hyundai, discorda com Mahonen: “Rali é rali e cada evento precisa de ser um pouco diferente. Para um organizador, é difícil fazer troços de 50 Km por causa da quantidade de marshals, mas se tiver apenas 10 Km, será bom? ‘Troços’ tem o ralicross ou os circuitos. Aceito que os ralis tenham que ser adaptados à nova sociedade em que vivemos, talvez precisemos menos do passado, mas cada evento tem que ter a sua particularidade. Ter mais troços significa mais razões para se falar no WRC, mas os ralis perdem o seu DNA. Tudo bem, ter troços de 10 Km, mas misturem-nos com os de 15 Km, 20, Km, 30 Km…”, disse, ao MotorSport News.
Tommi Makinen, discorda de Nandan: “Não penso que este carro tenham sido construídos para endurance. Mais troços, significa mais cobertura dos media” disse. Um piloto que não foi identificado diz que percebe a nulidade que foi o troço de 80 Km do México 2016, mas isso só sucedeu porque as distâncias entre os pilotos eram demasiado grandes para justificar que alguém atacasse (ndr, PE19, antes do troços de 80 Km: 1º Latvala, 3:27:22.8; 2º Ogier S. +1:35.7; 3º Sordo D. +2:40.4; 4º Østberg, +4:48.8; 5º Paddon, +5:42.1; 6º Tänak, +7:50.5), e pelo facto do troço ter sido realizado no último dia, quando tudo estava resolvido na classificação. E se tivesse sido no primeiro? “Penso que o Jarmo está completamente errado! A endurance faz parte dos ralis e sempre assim será”
O promotor, vê os dois lados da questão: “Os argumentos das duas partes são relevantes, e o que temos tentado e que exista coerência e regularidade no formato para que as pessoas reconheçam o WRC. Se não houver um padrão, os media têm mais dificuldade de seguir a modalidade e para além disso, hoje em dia – e isto está estudado – os jovens só estão atentos a uma única coisa entre oito e 14 minutos. Com um troço de 80 Km vão fazer outra coisa… O desporto tem que se adaptar às futuras gerações, e à forma como hoje em dia consomem. Se não o fizermos, ficamos sem ‘negócio’…” disse Oliver Ciesla também ao MN.
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