O dia arrancou com um segundo de diferença entre Oliver Solberg (Toyota GR Yaris Rally1) e Sébastien Ogier (Toyota GR Yaris Rally1), mas a sorte não quis nada, desta vez, com o francês que furou e perdeu mais de dois minutos, caindo com isso para o quinto posto da geral.
Oliver Solberg volta a vencer um troço e com isso alarga de novo a sua liderança para 23,6 segundos sobre Elfyn Evans (Toyota GR Yaris Rally1), que desta forma regressa ao segundo lugar. Ogier, vítima das rochas traiçoeiras de Soysambu, caiu para quinto — e uma possível vitória complica-se muito, com o rali a ficar, mais do que nunca, de novo em aberto.
Filme da especial
à entrada deste troço a caravana do Mundial de Ralis preparava-se para o dia mais duro do Quénia, um percurso traiçoeiro onde o inesperado é regra. As equipas sabiam: hoje, tudo podia acontecer. O líder Oliver Solberg partia para a estrada com apenas um segundo de vantagem sobre Sébastien Ogier. Atrás deles, Elfyn Evans esperava a sua hora. E tudo começou rapidamente a acontecer…
Joshua Mcerlean (Ford Puma Rally1) foi o primeiro na pista, a acordar o silêncio da savana, o Ford Puma da M-Sport rodava entre poças de lama deixadas pela chuva da noite. “É uma aventura lá dentro”, sorria à chegada, vidros salpicados de terra. O seu companheiro, Jon Armstrong (Ford Puma Rally1), seguiu-o, mas logo um estrondo ecoou pelo habitáculo — um toque nas pedras obrigou-o a controlar o carro com mãos de ferro numa dança pela sobrevivência.
Pouco depois, Esapekka Lappi (Hyundai i20 N Rally1) mergulhou na especial e mostrou o caminho, o Hyundai a levantar torrentes de lama. “Há zonas boas, mas noutras é só subviragem”, confessava, o pó colado ao capot. Takamoto Katsuta (Toyota GR Yaris Rally1) respondeu, 15 segundos mais veloz, a falar já da chuva como esperança e maldição. Adrien Fourmaux (Hyundai i20 N Rally1) foi ainda além, a enfrentar buracos fundos como crateras e a sentir impactos violentos no carro, mas satisfeito: “Foi difícil, mas bom.” Sami Pajari (Toyota GR Yaris Rally1) foi quinto: “Não foi tão fácil. O limpa para-brisa não estava a funcionat, em várias retas eu não via para onde ir”.
Thierry Neuville (Hyundai i20 N Rally1), cauteloso, perdia tempo — o seu Hyundai lutava contra o subvirar na lama grossa.
Ogier, até então segundo, viu o sonho ruir a meio da especial. Um ruído seco, uma pedra impossível de evitar, e a roda esquerda despedaçada. Saiu do carro, trocou o pneu com as mãos envoltas em pó e regressou, mas já dois minutos se tinham evaporado. “Rochas no trajeto… não havia como evitar”, lamentava, resignado.
Evans aproveitou o drama. “Não é fácil, é preciso arriscar”, dizia o galês ao registar o melhor tempo provisório. Solberg, logo a seguir, atacou com fúria — o Toyota saltava de curva em curva, até um susto quase o lançar pelos arbustos. “Quase fiz um pião em quinta!”, exclamou, ainda ofegante, ao chegar ao final com a traseira danificada. Mesmo assim, três segundos mais rápido que Evans.
No WRC2, Gus Greensmith reduzia a diferença para Robert Virves em apenas uma décima, uma guerra à parte dentro da poeira queniana.













