O Rali de Monza vai decidir o WRC 2020, e Elfyn Evans está bem posicionado para chegar ao título. Contudo, ainda há contas para fazer e nada pode ser assumido à partida e até a Covid-19 ainda pode decidir tudo antes da hora…
Realiza-se no primeiro fim de semana de dezembro, o Rali de Monza, prova que marca o final do WRC 2020, uma competição muito afetada pela pandemia de Covid-19, e que permitiu apenas que seis provas se realizassem até aqui. Entre adiamentos, cancelamentos, novas provas e ‘coelhos a sair da cartola’, tivemos um pouco de tudo e o Rali de Monza é um bom exemplo do ‘desespero’ que tem sido colocar de pé um WRC 2020 minimamente aceitável como competição mundial.
Claro que este ano temos de ser muito pouco ‘esquisitos’, aceitando coisas que noutros momentos seriam completamente impossíveis. Um rali do mundial com dois dias num circuito, Monza, não é digno do WRC, mas a competição e os adeptos só podem agradecer aos italianos por levarem a prova em frente, pois mais vale ser decidido assim, que simplesmente não haver prova…
Este será um ano para esquecer muito rapidamente, lutar para atirar para trás das costas a pandemia e depois recuperar tudo o que foi perdido.
Talvez para muitos este seja um bom exemplo para o futuro, em que o mais importante é remarem todos para o mesmo lado ao invés de olhar para os próprios umbigos. Percebe-se que a pandemia possa ter mudado os contextos das marcas, mas teria sido importante que as regras de 2022 já estivessem decididas há muito e que não tivesse havido pressões para mudar tudo. A FIA fez finca pé, e agora resta-nos esperar para ter a certeza que pelo menos haverá três marcas no WRC em 2022.
Mas para já o que interessa é 2020 e neste momento ainda há margem para anular o rali. A cada dia que passa isso parece menos provável, mas o facto desta segunda vaga de Covid-19 ser, mais ‘coisa’ menos ‘coisa’, três ou quatro vezes pior do que a primeira em termos de números, não deixa ninguém descansado. Se o rali for anulado, Elfyn Evans é campeão e a Hyundai vence nos Construtores.

O percurso possível
A preparação das três equipas decorre, a Hyundai Motorsport e a Toyota Gazoo Racing foram para o norte de Itália, a M-Sport Ford rodou numa pista inglesa e chegou. As equipas vão para Monza com muito pouco conhecimento do que vão encontrar, mas há informação mais do que suficiente para que isso não faça grande diferença.
O ACI Rally Monza vai começar na 5ª Feira à noite com um troço integralmente disputado no circuito de Monza. A maior parte na reta da meta, com muito ‘gancho’ e ‘Motorshow’ pelo meio, é claro, mas também uma grande percentagem dos 4,33 Km em terra, relva, ou folhas caídas das árvores…
Em teoria, tudo se decidirá verdadeiramente no dia de sábado, com ‘verdadeiros’ troços de asfalto italiano, duro, estreito rápido, muitos ganchos, muito ‘circuito’ de estrada entre rails, enfim bons troços de WRC, escolhidos por alguém com muita experiência, Tiziano Siviero, antigo navegador de Miki Biasion. O percurso no Circuito de Monza é apenas uma inevitabilidade…

Contas dos títulos
Na prática já só três pilotos ainda podem chegar ao título, Elfyn Evans, Sébastien Ogier e Thierry Neuville. Matematicamente, Ott Tanak ainda pode ser campeão mas precisava de vencer e que uma hecatombe generalizada sucedesse aos restantes candidatos. Basta que Evans seja nono no rali e faça um ponto na PowerStage para que Tanak não possa chegar ao título. E com Neuville não é muito diferente pois só tem mais quatro pontos que Tanak.
Resumidamente, o belga tem que esperar que Evans não pontue, e ainda batê-lo na PowerStage e depois tem que esperar que Ogier não faça melhor que 3º e ainda teria que o bater na PowerStage. São demasiados ‘ses’, mas pode acontecer, claro. É por isto, também que os ralis são tão interessantes, pois tudo pode suceder a qualquer momento. Em termos práticos a decisão do título de Pilotos vai dar-se entre Ogier e Evans.
Um cenário: se Ogier ganhar o rali e Evans for quinto – por exemplo com os três Hyundai pelo meio, Sordo, Neuville e Tanak, o que é perfeitamente viável, a Ogier já só faltaria não permitir que Evan ficasse à sua frente na PowerStage. Seria uma decisão mesmo ao ‘pontinho’.
Portanto, como se percebe os cenários são ainda muito e por isso o mesmo o melhor é esperar para ver o que vai acontecendo durante a prova, indo ajustando as contas a cada momento, sabendo que no final há um troço, a PowerStage que vale mais cinco pontos.
Nos Construtores as contas são bem mais fáceis. A Hyundai tem sete pontos de avanço para a Toyota, cada ralis ‘vale’ 43 pontos, pelo que neste particular tudo pode acontcer. Veja a nossa tabela em baixo e perceba as várias pontuações possíveis tendo em conta as diversas possibilidade.










