A chuva virou a décima especial de pernas para o ar, Elfyn Evans (Toyota GR Yaris Rally1) foi o homem da manhã ao voar no piso escorregadio, Sébastien Ogier (Toyota GR Yaris Rally1) perdeu tempo mas conservou a liderança, agora reduzida para 5,4 segundos sobre Oliver Solberg (Toyota GR Yaris Rally1), e a luta pela frente apertou de vez.
No WRC2, Yohan Rossel (Lancia Ypsilon HF Rally2) sobreviveu melhor ao caos, mas Roberto Daprà (Skoda Fabia RS Rally2) brilhou numa especial que secou a olhos vistos e lhe deu um salto importante na classificação. Curiosamente, apesar das ‘aproximações’, não mudaram posições entre os Rally1, mas a liderança de Ogier está agora presa por 5.4s, com Evans em terceiro a 10.3s da frente.
Filme da especial
Tudo começou com guarda-chuvas abertos e uma estrada que parecia mudar de humor a cada curva. Jon Armstrong (Ford Puma Rally1) lançou-se primeiro para Maspalomas com pneus cruzados e muito cuidado, como quem pisa vidro molhado. Joshua Mcerlean (Ford Puma Rally1) veio logo atrás e foi mais rápido, mas a verdadeira história só começou quando os homens da frente entraram em cena e perceberam que o troço era uma armadilha com várias caras.
Thierry Neuville (Hyundai i20 N Rally1) abriu o lote principal com prudência e saiu para a frente do momento, ainda a tentar adivinhar se o Hyundai lhe daria sobreviragem ou subviragem na curva seguinte. Adrien Fourmaux (Hyundai i20 N Rally1) leu melhor o palco, bateu o companheiro e mostrou que bastava um instante de hesitação para a estrada cobrar caro.
Dani Sordo (Hyundai i20 N Rally1) veio depois, sem conseguir acompanhar, a perder tempo precisamente onde mais confiança era necessária. Takamoto Katsuta (Toyota GR Yaris Rally1) apareceu com um registo forte, sério, de sobrevivência, e Sami Pajari (Toyota GR Yaris Rally1), enredado na indecisão, cedeu demasiado, aproximando o japonês na luta pelo quarto lugar.
Então veio o clímax. Evans atacou como se a água lhe limpasse o caminho, foi 6,2 segundos mais rápido do que todos e recuperou o terceiro posto da geral. Solberg respondeu, mas deixou 2,5 segundos na estrada e viu a margem para o galês encolher. Ogier entrou por fim, líder, prudente, calculista. Não foi o mais rápido e perdeu 4,4 segundos para Evans, mas evitou o erro fatal e manteve-se na frente.
Atrás, no WRC2, Yohan Rossel soube ler as condições e passou em segurança, enquanto a chuva voltava na meta. Léo tentou resistir com pneus duros, Cachón teve momentos grandes, e Daprà, no dia de aniversário, encontrou o carro perfeito, voou cinco segundos mais depressa do que o líder da categoria e arrancou um dos grandes aplausos da manhã.











