Quando Andreas Mikkelsen foi deixado de fora no início do Mundial de Ralis de 2017, depois da Volkswagen ter subitamente anunciado a sua saída da competição, foram muitas as vozes a destacar a falta de sentido de ter um piloto como o norueguês sem lugar no plantel principal, a exemplo do que sucedeu com Latvala e Ogier.
A oportunidade surgiu na Sardenha, como consequência de uma Citroën que andava completamente perdida com as dificuldades que o seu carro colocava aos seus pilotos nos pisos de terra ou em estradas mais escorregadias. Mas a verdade é que Mikkelsen não fez o que se julgava – havia quem dissesse que o problema da Citroën se resolvia com este piloto na equipa – mas o tempo veio mostrar outra realidade.
Oitavo lugar na Sardenha era compreensível para quem tinha chegado há pouco à equipa, nono lugar na Polónia, fez franzir a testa a muita gente, e só o segundo lugar na Alemanha, no asfalto, foi um resultado ‘normal’ para Mikkelsen. Conclusão, o problema era do carro e não dos pilotos, e também por isso Mikkelsen foi para outras paragens.
O destino foi a Hyundai, que tinha um piloto (e carro) capaz de lutar pelo título, mas também tinha outros dois pilotos que já não asseguravam a consistência que a equipa precisava para vencer o Mundial de Construtores. Chamaram Mikkelsen. O carro estava comprovado, por isso restava o piloto adaptar-se à nova realidade (o que a este nível demora sempre algum tempo). O quarto lugar na Grã-Bretanha foi um bom sinal, mas os resultados de Espanha e Austrália foram pobres, sendo que nesta última prova de 2017, liderava quando bateu.
Este ano, as coisas têm melhorado um pouco, foi terceiro na Suécia e quarto no México, ficou novamente clara a sua dificuldade no asfalto, na Córsega e agora surge a Argentina, um rali que gosta e que se adapta bem ao seu estilo. Será desta? “O Rali da Argentina é provavelmente um dos meus favoritos de toda a temporada. É um rali de terra muito peculiar, porque as estradas são arenosas o que combina um pouco mais com o meu estilo de condução; é possível criar um ângulo, o que ajuda a atacar melhor as curvas. Os troços podem ficar bastante duros nas segundas passagens, por isso tenho que ter cuidado com o carro, no entanto é um rali fantástico. O El Condor e a Mina Clavero são dois troços pelos quais estou particularmente ansioso.”








