Ainda que o tenha feito de forma velada, Cyril Abiteboul deixou clara a insatisfação da Hyundai Motorsport quanto ao que foi recentemente anunciado pela FIA, e embora não queira falar em ameaça de sair, está e vai continuar a pressionar fortemente a FIA e a Comissão do WRC quanto ao calendário das mudanças…se estas chegarem mesmo a avançar, porque a pressão das três equipas está a começar a ser bastante forte e estas declarações de Cyril Abiteboul agora no Quénia são mais do que prova disso.
Em conversas com a AutoHebdo e Dirtfish, Cyril Abiteboul foi desta feita muito forte nas acusações que fez, e a primeira explicação que dá deixa claro que as mudanças recentemente anunciadas pela FIA afetam diretamente a estratégia da Hyundai para o seu futuro próximo desportivo, pois sabendo que a Hyundai tem um handicap competitivo face à Toyota (ndr, em dois anos, 2022 e 2023, a Toyota venceu 16 vezes face às sete da Hyundai) e essa é uma questão para a qual a Hyundai estabeleceu um plano, que foi agora interrompido pela FIA: “O que a FIA fez tem consequências de grande alcance, graves, a começar pelos nossos projetos. A direção da Hyundai contratou-me no ano passado para implementar um plano de transformação da equipa, pilotos e uma estratégia técnica para o carro. Quando as cartas são completamente baralhadas isso tem impacto”, referindo-se ao facto da Hyundai estar no WRC para ganhar e não: “para servir de contraste para os outros”, alegando que têm um plano para recuperar o atraso competitivo, no qual já estão a trabalhar, e estando a contar com as mesmas regras mais dois anos, esse plano foi agora afetado pelas decisões da FIA: “a nossa capacidade de sermos competitivos foi severamente afetada”, disse Abiteboul à AutoHebdo.
Isto é uma mensagem clara: a Hyundai sabe que tem um atraso competitivo, estava a trabalhar nesse sentido e agora a FIA interrompeu esse processo ao anunciar que quer mudar os regulamentos. E agora percebe-se que a Hyundai não quer que nada mude até ao final de 2026: “Não nos podemos dar ao luxo de ficar num desporto apenas como figurantes”, diz Abiteboul, que revela ainda que a Hyundai estava “muito avançada neste carro que foi autorizado pela FIA há alguns meses”, mas agora tudo pode mudar.
Abiteboul diz que não é uma ameaça, que quer continuar a falar com a FIA e a apresentar os seus argumentos e assegura que a possível saída da Hyundai do WRC “só teria um valor negativo” quando a ideia e o objetivo é “pensar em conjunto na criação de valor complementar”, diz, por exemplo tornar obrigatórios quatro carros por construtor, abrir os Rally1 a jovens pilotos para preparar o futuro do WRC. Mostrou-se ainda totalmente contra tornar os Rally2 mais competitivos ao mesmo tempo que se diminui a competitividade dos Rally1 “isso é nivelar por baixo”.










