WRC 2026 arranca com o Rali de Monte Carlo: o essencial que há para saber

Por a 19 Janeiro 2026 22:34

O Mundial de Ralis de 2026 (WRC) tem o seu início este fim de semana com o Rali de Monte Carlo (22-25 de janeiro). Apesar de ter perdido dois dos seus principais protagonistas, Ott Tanak e Kalle Rovanperä, a competição apresenta um alinhamento que promete uma luta renhida pelos títulos.

Embora a Toyota Gazoo Racing se apresente como favorita à defesa dos títulos, espera-se que a Hyundai tenha um desempenho significativamente melhor este ano, após corrigir os erros de 2025.

Sébastien Ogier regressa para mais 10 eventos, tentando replicar o sucesso de 2025 e, se possível, isolar-se de Sébastien Loeb, com quem partilha nove títulos, conquistando o seu 10º título.

Oliver Solberg, filho do campeão mundial de 2003, estreia-se a tempo inteiro pela equipa japonesa, após conquistar o título WRC2 e uma vitória notável na Estónia com um Rally1. Solberg posiciona-se como um potencial primeiro bicampeão geracional – seguindo o título do seu pai, Petter Solberg, em 2003 – na história do campeonato.

A Toyota mantém Elfyn Evans, Takamoto Katsuta e Sami Pajari como pilotos fixos, com Ogier limitado a 10 das 14 rondas. Enquanto isso, a Hyundai e a M-Sport Ford apostam em veteranos e talentos emergentes para desafiar a supremacia japonesa.

Toyota: continuidade e ambição

A Toyota, atual campeã de pilotos, construtores e navegadores, é a única equipa sem alterações significativas no alinhamento principal para 2026. Solberg, ao lado do navegador Elliot Edmonson, chega com vontade de provar o seu valor após uma passagem turbulenta pela Hyundai no escalão maior.

O jovem piloto sueco rejeita expetativas concretas de resultados, enfatizando o seu compromisso total: “Coloco sempre muita pressão em mim próprio, com objetivos elevados, mas quero apenas realizar o meu trabalho a 110% e ver como corre.” A sua integração é a única mudança face a 2025, com Evans, Katsuta e Pajari a regressarem integralmente, enquanto Ogier inicia a época nas estradas alpinas onde já triunfou nove vezes.

Ogier, empatado com Sébastien Loeb no número de títulos mundiais (nove), procura quebrar esse empate e afirmar-se como o maior de sempre no WRC. A vitória de 2025 em Monte Carlo – a 10ª na prova (tendo vencido fora do WRC no IRC em 2009) – resultou de uma performance imbatível, e o francês parte como favorito absoluto na 115ª edição do evento. Nenhum outro piloto ativo o superou tantas vezes nas estradas próximas de Gap, onde cresceu.

Elfyn Evans e Scott Martin, que lideraram grande parte da classificação de 2025 antes de serem superados por Ogier, estão motivados para recuperar o cetro perdido. A dupla galesa foi a única em Rally1 a completar todas as etapas no ano passado, destacando a consistência e fiabilidade da Toyota. Evans não sai do pódio em provas de asfalto desde 2023, mas ainda assim reconhece áreas de melhoria: “Olhando para 2025, há aspetos que podíamos ter feito melhor, mas isso mantém-nos motivados para 2026 e para lutar na frente.” Apesar da competitividade esperada, o galês afirma que o objetivo permanece “sempre o mesmo”.

M-Sport Ford: Dupla Irlandesa com estreia surpreendente de Armstrong

A M-Sport Ford alinha uma dupla 100% irlandesa a tempo inteiro com Josh McErlean e Eoin Tracy, na sua segunda temporada completa em Rally1. McErlean conquistou o sétimo lugar na estreia no escalão maior, criando uma base sólida para ambições de top-5 em Monte Carlo. Ao seu lado, John Armstrong estreia-se no WRC após um percurso invulgar: das dificuldades financeiras iniciais à glória nos eSports em 2018 – onde contribuiu para o jogo oficial do campeonato –, passando por dois vice-campeonatos no WRC Junior e liderança no Challenge da M-Sport no ERC.

Vitórias no País de Gales e Croácia em 2025 convenceram o diretor de equipa, Rich Millener, a promovê-lo. “É um sonho realizado. Quando entras no desporto, queres acabar no escalão maior do WRC”, declarou o irlandês de 31 anos, que nunca competiu em Monte Carlo.

Gregor Munster e Louis Luka regressam para uma prova pontual, visando um top-5 no local da sua primeira vitória em troços na época anterior, mas com um programa limitado e intenção de campanha completa apenas em 2027.

Hyundai: Veteranos ‘rotativos’

A Hyundai entra em 2026 após um 2025 dececionante, marcado por problemas técnicos apesar do número 1 nas portas de Thierry Neuville e Martijn Wydaeghe. A equipa recorre a pilotos experientes para preencher a vaga de Ott Tänak: Dani Sordo, Esapekka Lappi e Hayden Paddon rodam no terceiro carro, com o neozelandês e John Kennard a alinharem em Monte Carlo. Paddon, ausente do WRC há oito anos, assume um papel tático: “O meu contributo é diferente do jovem supercompetitivo de então. Agora é jogar em equipa para somar pontos de construtores.”

Apesar da falta de tempo com o carro e da ausência prolongada em Monte Carlo, promete máxima entrega.

Neuville e Adrien Fourmaux, com Alex Coria, ambicionam a vitória. Fourmaux e Coria impressionaram em 2025 com a terceira posição, graças a uma ousada escolha de pneus, e chegam para mais um ano completo de i20 N Rally1, mirando o topo do pódio num evento especial para Fourmaux, que o frequentava como espectador.

Monte Carlo: 340 km de desafios alpinos

Com uma herança que remonta a 1911, o Rali de Monte Carlo destaca-se pelas passagens montanhosas, estradas geladas e condições imprevisíveis, com troços que transitam de asfalto para gelo traiçoeiro. O parque de assistência fica em Gap, percorrendo os Alpes-Marítimos com 340 km cronometrados, incluindo as icónicas curvas em ‘gancho’ (épingle, como dizem os franceses) de Col de Braus e Col de Turini, imortalizadas no cinema.

Pela primeira vez desde 2008, regressa a Super Special Stage de Monte Carlo, permitindo ao público assistir à velocidade dos Rally1 nas ruas do Mónaco, por onde andam os Fórmula 1.

Numa grelha sem limites de inscritos e com rivais renovados, o arranque da época promete equilíbrio entre experiência, juventude e tecnologia Rally1, com a Toyota como referência, mas com a Hyundai e a M-Sport prontas para surpreender já nas estradas francesas.

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