Mais de 50 °C no cockpit: o calor extremo que forçou Serderidis a desistir do Rali da Grécia
O piloto do WRC, Jourdan Serderidis não resistiu ao calor e teve de abandonar o Rali da Grécia depois de se ter sentido mal. Os pilotos do WRC são atletas de alta competição, estão preparados para isso, mas Serderidis é um gentleman driver com 61 anos, e não aguentou. É uma pena, ainda mais na ‘sua’ prova, o Rali da Grécia. Em princípio, volta amanhã.
Mas por que razão o interior de um carro de ralis pode ser tão quente?
Mesmo que a temperatura ambiente esteja “apenas” nos 30 e poucos graus Celsius, dentro de um carro de competição os valores podem ultrapassar facilmente os 50 ºC. Há várias razões para isso começando logo pela falta de ar condicionado, pois nos carros de rali — tal como nos carros de corrida em geral — o ar condicionado é muitas vezes removido para reduzir peso, evitar consumo extra de potência do motor, só mesmo em provas de Todo-o-terreno e no Mundial de Endurance, especialmente nas 24 Horas de Le Mans, em que o regulamento técnico da FIA/ACO para a classe Hypercar determina que o ar condicionado é obrigatório; O sistema tem de ser capaz de manter a temperatura na cabeça do piloto abaixo dos 32 ºC, mesmo que a temperatura exterior esteja nos 32 ºC (ou mais); Isto é testado em homologação e verificado nas inspeções técnicas.
Nos ralis não existe essa obrigação, o que significa que não há nenhum sistema ativo a refrigerar o habitáculo, ao contrário do que acontece num carro de estrada.
Para além disso, os pilotos usam fatos de competição à prova de fogo (homologados pela FIA), luvas, balaclava, capacete e, por vezes, como é o caso na Grécia, coletes de refrigeração (que nem sempre são muito eficazes). Este equipamento, apesar de seguro, impede a dissipação normal do calor corporal.
Depois, o motor, os tubos de escape e os sistemas de transmissão irradiam muito calor para o interior do carro e mesmo com um bom isolamento térmico, o calor acaba por se acumular no habitáculo, especialmente em troços longos e lentos, onde a ventilação natural é menor.
Em muitos ralis, especialmente os em piso de terra, as entradas de ar são limitadas para evitar que poeiras entrem no carro. Isso reduz ainda mais o fluxo de ar fresco para o piloto e o navegador, pelo que um golpe de calor (ou insolação) acontece facilmente, quando o corpo deixa de conseguir regular a sua temperatura interna, que pode subir para valores perigosos (acima de 40 ºC). Ainda mais num piloto como Jourdan Serderidis. Que volte amanhã para desfrutar do resto da ‘sua’ prova…











