O Rali da Estónia vai estrear este ano um formato profundamente revisto no Campeonato do Mundo de Ralis, concentrando a prova em cerca de 50 horas sem reduzir a distância competitiva, que se manterá nos 301,8 quilómetros cronometrados. A mudança, apresentada como resposta direta à necessidade de contenção de custos das equipas, elimina um dia do programa tradicional e faz arrancar a ação competitiva apenas na sexta-feira.
Embora isso não seja (ainda) admitido pelo Promotor ou FIA, esta pode ser a primeira experiência de um nova medida para conter custos no Mundial de Ralis.
Novo modelo reduz um dia ao programa
A principal alteração passa pela eliminação da habitual manhã de quinta-feira dedicada ao shakedown e da superespecial noturna, comprimindo a estrutura do rali num período mais curto, mas preservando o volume desportivo da prova. Em 2026, o shakedown realiza-se na sexta-feira de manhã, antes das obrigações mediáticas dos pilotos, com as primeiras especiais a arrancarem após o almoço.
Nesse arranque, os concorrentes enfrentarão passagens duplas por troços já conhecidos, separadas apenas por uma curta zona de montagem de pneus, sem recurso a um parque de assistência. A organização aposta, assim, numa solução mais compacta do ponto de vista logístico, sem abdicar da densidade competitiva que tem marcado a prova báltica.
Sábado concentra metade do rali
O sábado será o dia mais exigente do evento, reunindo cerca de 150 quilómetros de especiais, o equivalente a quase metade da distância total do rali. O domingo ficará reservado para o desfecho da prova, com duas passagens pela classificativa de Koku, com 24 quilómetros, antes do final previsto logo após a hora de almoço.
Em declarações ao DirtFish, o diretor da prova justificou a opção com o atual contexto económico do campeonato. “Temos de olhar para o que os nossos parceiros precisam. Compreendemos que as equipas necessitam de poupar nos custos de mão de obra e temos de ajudar nesse sentido”, afirmou, sustentando que o impacto económico gerado pelo público deverá manter-se.
Mais pressão sobre a fiabilidade
A concentração do rali em zonas de troca de pneus, em detrimento de parques de assistência mais regulares, introduz também um novo fator de risco competitivo. Qualquer toque ou problema mecânico poderá tornar-se mais penalizador, uma vez que o tempo disponível para reparações complexas será mais reduzido.
Ainda assim, a organização entende que o formato pode adaptar-se às características do Rali da Estónia, considerado naturalmente compacto. Os reconhecimentos passarão também a dispor de maior flexibilidade, podendo ser realizados em alternativa entre quarta e quinta-feira.
Maior salto do WRC fica em espera
Em paralelo com estas alterações, foi adiado o plano para introduzir aquele que poderia tornar-se o maior salto da história do WRC. O diretor de corrida explicou que o projeto exige mudanças profundas no traçado e um compromisso contratual mais longo com o promotor do campeonato, numa altura em que o vínculo atual é válido por apenas um ano. Apesar disso, a ideia não foi abandonada. A organização continua a trabalhar no conceito com apoio científico, procurando calcular a aerodinâmica e garantir condições de segurança numa zona de alta velocidade com forte inclinação descendente.










