Está longe de ser o único problema, mas é certamente um deles: o WRC sofre pelo facto de só ter três equipas oficiais, o que com três carros cada, aqui e ali quatro, fazem com que apenas uma dezena de Rally1 sejam vistos a competir na maioria das provas, por vezes menos que isso, como foi o caso de Portugal com oito Rally1.
Mas o Diretor de Ralis da FIA, Andrew Wheatley, em declarações à AutoHebdo, disse que não é de opinião que se os seis construtores hoje em dia presentes nos Rally2/3, Toyota (em breve), Hyundai, Ford, Skoda, Citroën e Renault (Rally3) isso fosse positivo. E explica porquê: “Acredito que teríamos problemas opostos aos de hoje. Trabalhei numa equipa quando havia sete fabricantes. Sei muito bem que foi uma grande época para a imprensa, pois havia muitas histórias para contar, mas a desvantagem foi que poucas equipas conseguiram justificar o seu investimento”, referindo ao facto de só algumas equipas e pilotos podem vencer e isso levaria a que existisse muita gente descontente.
Wheatley acrescenta que: “quatro fabricantes diferentes seriam o número perfeito na classe principal do Mundial de Ralis. Vejam só o que aconteceu em 2017. Todos os quatro carros (Toyota, Ford, Citroën e Hyundai) conseguiram vencer e todos subiram ao pódio. Ganhar o campeonato foi incrivelmente difícil, disse Wheatley: “Se houvesse cinco fabricantes envolvidos, seria maravilhoso. Seria ótimo se tivéssemos esse ‘problema’. Seis fabricantes, por outro lado, seria demasiado complicado pois seria impossível manter todas as partes satisfeitas”, disse.
Segundo a nossa visão, não tem razão. A Fórmula 1 tem 10 equipas e todas estão super contentes, nem todas pelo lado desportivo, mas todas pelo lado financeiro. Nem todas ganham títulos ou Grandes Prémio, ou mesmo vão ao pódio, mas todas ganham dinheiro e o problema do WRC começa aí, com um retorno quase inexistente face ao investimento.
Se o retorno fosse bom face ao que as marcas gastam, nenhuma se preocupava por não ganhar, mas podia continuar a tentar melhorar…porque ganhava dinheiro com o retorno.
Portanto, se fossem criadas regras que levassem a que os carros não fossem demasiado caros, como não são os Rally2, que é uma fórmula de sucesso comercial para todas as marcas, embora umas mais do que outras, nos Rally1, se o que prometeu a FIA antes dos Rally1, que os carros seriam mais baratos que os WRC 2017/21, e não o inverso, que é o que sucede, talvez pudesse estar a acontecer o que refere Malcolm Wilson, a venda de carros a privados, como sempre existiu na história do WRC, muitas vezes com andamentos perto dos carros de fábrica.
Por isso o Grupo A teve tanto sucesso, pois os privados, sem gastar “mundos e fundos” podiam, por vezes, fazer brilharetes nos ralis do Mundial, há vários exemplos disso, e até portugueses, por exemplo Carlos Bica no Rali de Portugal de 1990, Fernando Peres em 1994, o brilharete de Rui Madeira em 1997.
Hoje em dia isso é completamente impossível, pois os Rally1 são um feudo de muito poucos, e sendo verdade que os Rally2, sendo um sucesso comercial, não se deve ‘minar’ isso ao torná-la na classe principal, a FIA pode perfeitamente fazer regras para os Rally1, que balize os valores como fez com todas as restantes categorias da pirâmide.
Esse é um ponto, o resto é mexer em muito mais coisas. Se o WRC é pouco interessante hoje em dia é porque a FIA e o Promotor andaram a “dormir na forma”, e ficaram a marcar passo enquanto tudo evoluía à sua volta.
O WEC teve dificuldades e reinventou-se, o Dakar está pujante como nunca e até já há um Mundial de TT.
Por tudo isto é quase inexplicável que o WRC esteja com as dificuldades que está. Agora é muito mais difícil levantá-lo. Mas não impossível. Portanto, se a FIA atuasse no preço dos Rally1, mesmo mudando algumas regras técnicas, e isso levasse ao aparecimento de muitos privados a correr, só isso seria suficiente para que a imprensa dos países dos pilotos privados passasse a ter interesse no WRC, o que não sucede agora. Este é apenas um exemplo, há muitos mais…









