OPINIÃO: Críticas dos pilotos no WRC estão a ir longe demais…

Por a 6 Novembro 2023 10:17

Numa altura em que os pilotos do WRC lutam pela revisão dos horários e das estruturas das provas do Mundial de Ralis, o novo Rali da Europa Central, pode ter sido um sucesso para os adeptos dos três países que puderam ver pela primeira vez na história do Mundial de Ralis uma prova a ter troços cronometrados em três países, Chéquia, Áustria e Alemanha, a verdade é que do ponto de vista dos pilotos e equipas, pelo menos de alguns, a experiência não foi nada agradável.

Longas ligações, com ida e volta, foram só uma das críticas de alguns pilotos que compreendem o facto do rali passar por três países, que é bom em termos de marketing e em termos mediáticos, pois meios de comunicação social que não iriam dar atenção à prova, tendo em conta que ela passou pelo seu país, se calhar deram – é compreensível, porque é assim que as coisas funcionam – o rali foi bem sucedido em termos de público, pois o simples facto de passar naquela zona chamou, especialmente, os checos, que são ‘loucos’ por ralis, mas do lado dos pilotos há críticas.

Sébastien Ogier e Ott Tanak foram duas vozes que se levantaram e só mesmo Thierry Neuville pôs de forma correta o dedo na ferida: “não me importo de guiar muito em ligações se vir tanta gente na estrada como vimos”.

Ora bem, o belga tocou no ponto certo, pois os ralis e as marcas que lá andam, procuram público, querem ir onde há público para mostrar os seus carros, os seus produtos, e retirarem daí o retorno.

Ora se os seus pilotos não querem fazer quilómetros de ligações, estão a criar um problema às próprias marcas que representam, pois é muito difícil às organizações agradar a gregos e a troianos, pois em percursos muito concentrados é muito difícil haver boas estradas, que façam sentido numa prova do Mundial de Ralis.

A razão pela qual se fez um rali a passar por três países deveu-se a dessa forma haver condições monetárias de três países para se conseguir fazer a prova que é cara, pois a Alemanha – note bem um país rico como a Alemanha – não conseguiu manter a prova que tinha por razões monetárias. E também tornou mais fácil arranjar bons troços. Dos troços ninguém se queixou.

A Grã-Bretanha não consegue voltar ao WRC e já lá vão cinco anos, por razões monetárias, e temos a certeza que todos os adeptos mais conhecedores sabem do que valia e da importância que tinha o Rali do RAC para o WRC.

Portanto, este equilíbrio entre uma boa prova, com bons troços, muito público, que faça sentido no WRC, é necessário, e se tiver que ter, como teve este Rali da Europa Central, de ter maiores ligações para ser uma prova melhor, não deviam ser os pilotos, que são bem pagos para fazer o que fazem, a queixar-se desta forma.

É óbvio que há muito há queixas das equipas e dos pilotos quanto a algumas provas do WRC, que é difícil em determinadas situações terem quase sempre dias tão longos, eu diria que sempre que possível seria bom adequar melhor as estruturas das provas, mas se me perguntarem por exemplo se eu troco uma ida do Rali de Portugal num longo dia de Coimbra a Arganil e voltar a Matosinhos, desculpem lá senhores pilotos, não troco isso por ligações mais descansadas.

Resumindo: sempre que seja possível, ter ralis mais pequenos, como parece que vai suceder em 2024, pelo menos na Letónia, que só deve ter dois dias, mas há ralis, como o Monte Carlo que começa na 5ª feira e acaba no domingo, acho mesmo muito bem, porque há provas que valem todo o cansaço que dão aos pilotos…

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