Nos anos 80, os ralis fizeram sombra à F1, e não sei se no seu ponto mais alto não chegaram a ter mais ‘elan’. Ambas as disciplinas cresceram bem, a F1 está mais ‘velhinha’, tem 72 anos, os ralis só completam 50 em janeiro.
Enquanto a F1 teve um grande ‘boom’ nos últimos anos, e antes disso já se tinha destacado imenso do WRC, os ralis têm feito caminho inverso e marcam passo há muito tempo. Não há dúvidas que os ralis se tiveram de reinventar desde 1987, depois da proibição dos Grupos B. Depressa se recompuseram, e muito bem, chegando a 1997 com os WRC, que fizeram a modalidade dar um grande pulo qualitativo. Mas só nos carros, pois parece-me que em tudo o resto, foram dados passos atrás.
A estrutura dos ralis mudou, e a mim parece-me que começaram a ‘perder’ precisamente na altura em que se tornaram num produto totalmente diferente. Deixaram-se os ralis em linha, para eventos com percursos em trevo, das 9 às 5, tudo mais ‘arranjadinho’, parques de assistência centrais, mais TV, passos que pareciam na teoria bons, mas enquanto a F1 ‘fugia’ no que ao interesse dos adeptos diz respeito, os ralis andam há muito tempo a ‘marcar passo’.
A disciplina não está mal por causa dos carros, são dos melhores de sempre, estas duas últimas gerações, mas os sucessivos Promotores e a FIA não souberam dar a volta ao texto, de globalizar verdadeiramente os ralis. Surgiram duas fortes crises, em 2011 e em 2020, e a juntar a isso, a perfeita indefinição por que passa a indústria automóvel. Quanto a mim, é especialmente por isto que os ralis não se desenvolvem. Até o Dakar já soube reinventar-se ao aceitar todas as tecnologias, que coexistem. Os ralis continuam a gaguejar. Até quando?









