» Textos: Nuno Branco

 

‘Estórias do Rali de Portugal: O dia em que Vatanen viu um formato que lhe era familiar


O Rali de Portugal de 1985 foi, sem dúvida, uma das provas mais marcantes da carreira de Carlos Bica. A justificá-lo, está, não só o excelente resultado alcançado, mas também o facto de ter disputado quase todo o rali com o Escort bastante mal tratado, na sequência de uma saída estrada ainda na ronda de Sintra. Para Bica, que se fazia acompanhar nesta prova por João Sena, este percalço inicial haveria de tornar o rali numa prova bastante insólita:

“No dia anterior fomos fazer reconhecimentos a Sintra e recordo-me de uma curva que costumava ter areia, mas que, nesse dia em que fomos reconhecer, estava limpa. Acontece que, no dia do rali, o Vatanen teve um despiste nessa curva e voltou a sujá-la. Quando lá chegámos também nos despistámos e capotámos várias vezes, conseguindo, mesmo assim, chegar ao fim do troço. O carro parecia o chapéu de um pobre! Não tinha uma única peça da carroçaria que não estivesse amachucada. Durante o resto do rali, não voltei a conseguir sair pela minha porta! Fomos tentando arranjá-lo o melhor possível, mas saímos da ronda de Sintra em 96º da classificação geral. Lembro-me que, logo após o final da ronda, quando estávamos na neutralização, junto ao Aeródromo de Tires, o Vatanen viu o meu carro e ficou curioso, querendo saber a quem pertencia. Quando descobriu, veio ter comigo, deu-me um abraço e comentou que o estado do carro lhe fazia lembrar a forma como havia deixado alguns Escort no passado! O restante rali foi feito em Maximum Attack, como diria Markku Alen, já que nada tínhamos a perder. A prova acabou por nos correr muito bem, tendo terminado em 7º lugar e 2º da classificação dos portugueses. A combinação do resultado com o estado do carro acabaria por nos dar destaque em vários jornais do estrangeiro…”