/ralis/wrc/estorias-do-rali-de-portugal-1973-o-primeirotap-de-jorge-ortigao/
‘Estórias’ do Rali de Portugal 1973: O primeiro’TAP’ de Jorge Ortigão | AutoSport
 

‘Estórias’ do Rali de Portugal 1973: O primeiro’TAP’ de Jorge Ortigão


O primeiro Rali TAP, em que participei, 1973, foi dominado pelos lindíssimos Alpine Renault, que ocuparam os dois primeiros lugares, com Thérier na frente de Nicolas. Francisco Romãozinho obteve a posição de melhor português, com o terceiro lugar absoluto, e eu fui 15º. O rali decorreu-me sem problemas de ordem mecânica e constituiu uma excelente aprendizagem, visto que saíra dos Iniciados, para disputar a minha primeira grande prova. No ano seguinte, 1974, voltei a disputar o ‘TAP’, que foi o último com essa designação. Aliás, esteve em risco de não se realizar, devido à crise da petróleo e só o facto de a Venezuela ter oferecido a gasolina permitiu que o Campeonato do Mundo principiasse no nosso país. Nessa altura eu dispunha de um Mazda 818, carro muito resistente, com a vantagem até, de ter poucas avarias.
Aliás, nem dispunha de assistência, pois metia gasolina nas bombas que iam surgindo pelo caminho e levava somente pneus de terra, dois dos quais na mala do carro. E davam para tudo, já que as classificativas iniciais, em piso de asfalto, eram feitas com esse tipo único de pneus.
Penalizei apenas sete minutos, ficando à frente de outros adversários que tripulavam carros mais potentes, mas o facto de o Mazda dar poucos problemas mecânicos permitia-me superar outro tipo de dificuldades. Para se avaliar da dureza dos ralis desses tempos basta dizer que de todos os concorrentes que alinharam à partida, apenas três, Rafaelle Pinto (19), AlcidePaganelli (2) e Ove Andersson (49), fizeram a estrada a zero. A prova foi dominada pela equipa da Fiat, com os 124 Spider, tendo sido terceiro o Markku Alen, que penalizara dois minutos.
A realidade era bem diferente, atendendo à dureza do rali, pois até à Póvoa de Varzim guiava-se praticamente toda a noite e apanhávamos logo no primeiro dia com a zona de Arganil, onde normalmente havia sempre muito nevoeiro. Hoje, comparativamente (ndr, 1994) é uma ‘pera doce’ e o rali corre-se praticamente todo de dia, com bastante menos horas de condução consecutivas Por outro lado, não se colocavam problemas de segurança ao nível dos espetadores, cuja afluência era menor, embora houvesse um elevado número de entusiastas que já se deslocava para todo o lado.