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Entrevista a Jourdan Serderidis: A Dupla Paixão de um Gentleman Driver entre o WRC e os Rali-Raids

José Luis Abreu by José Luis Abreu
1 Outubro, 2025
in Newsletter, Newsletter destaque, Ralis, TT, W2RC, WRC
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Entrevista a Jourdan Serderidis: A Dupla Paixão de um Gentleman Driver entre o WRC e os Rali-Raids

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Jourdan Serderidis, um nome já consolidado como gentleman driver no Campeonato do Mundo de Ralis (WRC), embarcou numa nova e desafiante etapa da sua carreira internacional. Ao volante do potente Ford Raptor T1+ da Ford Racing/M-Sport, o piloto belga-grego alargou os seus horizontes para o exigente universo do Campeonato do Mundo de Rali-Raides.
A sua dedicação e capacidade foram evidenciadas no recente Rali Raide Portugal, onde alcançou um notável 13.º lugar, posicionando-se entre os melhores do pelotão do W2RC. Com o Rali de Marrocos no horizonte, Serderidis prossegue o seu plano de desenvolvimento e aprendizagem em provas que exigem navegação apurada e resistência inabalável.
O grande objetivo da época é a estreia na mítica prova Dakar, agendada para janeiro de 2026, onde pretende capitalizar toda a experiência acumulada. Foi em Lisboa, durante o Rali Raide Portugal, que tivemos a oportunidade de conversar com este entusiasta do desporto motorizado.

Jourdan, a sua transição para os rali-raides, mantendo a presença no WRC, é um passo fascinante. O que o atraiu a esta nova disciplina e quais as primeiras impressões ao volante do Ford Raptor T1+? Que sensações lhe transmite esta máquina tão diferente?
“Bem, antes de mais, este é apenas o meu segundo rally raid. Fiz Aragão há dois meses, portanto ainda estamos numa fase de aprendizagem nos rally raids. Estamos a tentar perceber até onde o carro aguenta.
E isto aguenta muito mais do que um carro de WRC, por isso é completamente diferente, também na navegação. Estamos a guiar sobre o que vemos, e não através das notas — há muitas diferenças, mas no geral a experiência é fantástica. Divertimos-nos muito e o desempenho não é nada mau. No fundo, nem estamos preocupados com os resultados, por isso estamos bastante satisfeitos.”

Nos rali-raides, a durabilidade e a fiabilidade são cruciais. Para si, o que se traduz em sucesso numa prova como o Rali Raide Portugal? É a satisfação pessoal, a aventura ou a ausência de contratempos mecânicos que mais valoriza?
“Não tivemos grandes problemas, é verdade. Não tivemos qualquer furo, nenhum problema, o que é muito importante para maximizar os quilómetros e especialmente a diversão…”

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Comparando o WRC com os rali-raides, onde encontra o maior desafio e o maior prazer? A intensidade e a precisão do WRC contrastam com a resistência e a navegação dos ralis de todo-o-terreno. Como gere a pressão inerente a cada uma destas modalidades, tão distintas na sua essência?
“O WRC é muito mais curto. As especiais são bastante pequenas, mas também muito intensas — qualquer pequeno erro custa segundos, enquanto aqui contamos em minutos. Muda bastante. Mas em termos de condução, há muitas semelhanças: este carro, o Raptor, aguenta muitas coisas, e nisso é parecido. Quanto à diversão, penso que aqui é mesmo muito divertido.”

E o desafio da distância, é mais difícil nestas provas?
Posso dizer que sim. Ontem disse: “Uff, isto é longo, longo mesmo.” Alguns setores foram muito extensos, mas por exemplo hoje, com 270 km — o que é praticamente um rali WRC inteiro — não achei difícil.
Por isso, ainda estou a aprender e tento todos os dias perceber o que está a acontecer…”

Vai fazer o Dakar?
“Sim, claro. Faço o Marrocos e depois o Dakar…”

E como começou tudo isto para si no desporto motorizado?
“Era muito novo, ainda criança, sempre gostei de carros. Mas não tinha dinheiro, portanto não podia fazer nada. Comecei com atletismo, depois futebol. Quando juntei algum dinheiro, aventurei-me finalmente no desporto automóvel…”

Fez ralis muitos anos, 13, certo?
“Sim, 13 anos. Comecei muito tarde, essa é a verdade, ao contrário da maioria das pessoas. Isso sempre foi a minha fraqueza, mas estou sempre a tentar recuperar. Tenho agora 61 anos, por isso é impossível competir ao nível de um jovem de 20 anos.”

Tendo acompanhado a evolução dos ralis, o que pensa das diferenças do passado para o presente?
Hoje em dia não é tão positivo; em alguns países, os ralis já não são bem-vindos, ao contrário do que acontece em Portugal, pois na Alemanha e na Bélgica está a ficar cada vez mais difícil organizar eventos. Isso é negativo.
Há também a questão dos regulamentos e a forma como se recorre cada vez mais aos vídeos para reconhecer as provas, o que não gosto. Menos notas, mais vídeos — os pilotos memorizam as especiais, o que não é bom para a evolução dos ralis.
De resto, os regulamentos dos carros mudaram muito ao longo dos anos, há agora bastante diferença entre Rally1 e Rally2, estando o foco cada vez mais nos Rally2, que são muito menos espetaculares do que os Rally1. Vamos ver como ficam as regras, eu pergunto ao Malcolm (Wilson), ele sabe de certeza…”

Sabe que tem muitos fãs em Portugal, que admiram a sua coragem por enfrentar os jovens e pelo espírito positivo nas entrevistas…
“Sim, porque faço isto realmente pelo prazer. A diferença para os profissionais é que eles fazem carreira disto, enquanto eu faço apenas pelo gozo — é uma abordagem diferente. E se termino as provas com bons resultados é porque estou aqui a divertir-me, não pelo dinheiro ou pelos prémios…”

A paixão de Jourdan Serderidis pelo desporto motorizado é um testemunho da sua dedicação e do puro prazer que encontra em cada corrida. A figura do gentleman driver, que compete por amor ao desporto e não por obrigações profissionais, é um pilar fundamental em muitas modalidades, trazendo uma perspetiva única e um espírito de camaradagem que enriquece o universo das competições. A sua jornada, que o leva do WRC aos exigentes rali-raids e, em breve, ao Dakar, inspira pela resiliência e pela busca incessante de novos desafios, provando que a idade é apenas um número quando a vontade de acelerar permanece intacta.

Tags: Jourdan SerderidisW2RCWRC
José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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