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Adeptos celebram vitória histórica de Takamoto Katsuta: Safari “à antiga” marcado pelo caos mecânico

José Luis Abreu by José Luis Abreu
16 Março, 2026
in Newsletter, Ralis, WRC
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Fomos à procura do que dizem em termos gerais os adeptos sobre o Rali Safari e emotivo triunfo de Takamoto Katsuta domina as reações dos adeptos, mas estes tiveram muito mais a dizer…

A comunidade de adeptos do WRC recebeu a vitória de Takamoto Katsuta no Rali Safari como um momento histórico e profundamente emocional, descrevendo-a como “provavelmente a vitória mais emotiva” dos últimos anos.
Muitos realçam o simbolismo de um triunfo “de desgaste” precisamente na prova onde o japonês sempre mostrou maior rendimento, lembrando que é o primeiro piloto nipónico a vencer no Mundial desde Kenjiro Shinozuka em 1992 e o primeiro a ganhar o Safari desde Yoshio Fujimoto, em 1995 (a prova só contou para os 2 Litros, 2 rodas motrizes, tal como o Rali de Portugal 1996, quando o calendário do WRC era ‘rotativo’).
“Finalmente Katsuta é vencedor de um rali do WRC”, sintetiza um adepto, enquanto outro admite: “Se eu tivesse um troféu do WRC na prateleira, seria o com o chita… ou o do rinoceronte”.

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Vários comentários sublinham a carga emocional do final, com referências a “lágrimas” na assistência e à reação do próprio piloto: “Taka, não chores ou levas-me contigo”, escreveu um fã, ao passo que outro confessa ter visto nesta prova “a melhor oportunidade de sempre” do japonês para chegar ao triunfo e garante: “É agora ou nunca, provavelmente nunca mais vai ter um presente destes”.

​Safari visto como rali extremo, “não para fracos”
Para os adeptos, a edição deste ano confirmou a imagem do Safari como o rali mais extremo do calendário, combinando lama profunda, pedras cortantes e meteorologia imprevisível. “Rali Safari do Quénia, não é para fracos, evento de topo”, resume um comentário, enquanto outro fala numa “prova à antiga, estilo batalha campal, último carro de pé”. Há quem recorde que “nos velhos tempos só uma fracção dos carros chegava ao fim” e considere que 2026 recuperou esse espírito, apesar do formato moderno mais curto.
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Os fãs rejeitam a ideia de que o rali seja “injusto”, defendendo que faz parte da essência da disciplina enfrentar a natureza: “Estás a competir contra outros pilotos, mas também contra o percurso e, por vezes, a natureza ganha”, lê‑se num dos comentários mais partilhados. A dureza das especiais levou mesmo alguns a compararem o dia de sábado às edições mais caóticas da história recente do WRC e a evocarem situações extremas de outras competições, como as 24 Horas de Le Mans de 2017.

Desgaste extremo: Toyota em choque, Hyundai salva-se pela fiabilidade
A dimensão do desgaste mecânico é outro ponto central nas reações. Adeptos falam em “dia mais selvagem da história moderna do WRC”, sublinhando a sequência de abandonos quase em cadeia na Toyota – com Elfyn Evans, Sébastien Ogier e Oliver Solberg a pararem num curto espaço de tempo por problemas de suspensão, furos múltiplos e falhas elétricas. “Quem tinha este desastre da Toyota no bingo?”, ironiza um utilizador, enquanto outro descreve a edição deste ano como “battle royale Quénia, último carro sobrevivente”.
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Em contraste, os fãs destacam que a Hyundai, apesar de “muito atrás da Toyota em ritmo”, conseguiu finalmente um pódio graças à ausência de desistências por avarias de origem mecânica, algo considerado “insólito” face ao histórico recente da marca. Adrien Fourmaux é elogiado pela abordagem conservadora que lhe valeu o segundo lugar, com adeptos a reconhecerem que “evitou problemas auto‑infligidos como a peste”. Já a M‑Sport é descrita como vivendo “um milagre” por ver um Puma no fim, depois de uma “ladainha de problemas” e inúmeras reparações improvisadas em pleno troço.

Pneus, pedras e decisões da organização em debate
A avalanche de furos levou inevitavelmente a foco nos pneus, mas a maioria dos adeptos recusa culpar a Hankook. Um comentário, ecoando também explicações oficiais, sublinha que houve “menos furos do que no ano passado” e lembra “rochas enormes escondidas na lama, com arestas muito vivas”, concluindo que “nenhum pneu de rali sairia ileso” em tais condições. “Parar as pedras de lava afiadas é impossível, faz sentido que não haja grandes queixas dos pilotos”, reforça outro fã.
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Já a atuação da organização recebe avaliações mistas. A generalidade dos comentários considera “inevitável” o cancelamento de segundas passagens em troços como Camp Moran ou Sleeping Warrior, face a troços “intransitáveis” e a dificuldades para viaturas de emergência entrarem em segurança. Contudo, há críticas à alteração de percurso em Elmenteita após o recce, com informações tidas como “insuficientes” para as equipas; adeptos alinham com Katsuta, Solberg e Evans ao classificarem este episódio como um “grande erro” que “não devia acontecer” num Mundial.

WRC2 em destaque e futuro técnico sob escrutínio
A sucessão de problemas nos Rally1 abriu espaço para os Rally2 brilharem, algo que não passou despercebido aos adeptos. Vários comentários salientam que os carros de WRC2 sofreram “menos problemas técnicos” do que os de topo e apontam a liberdade adicional em matéria de arrefecimento frontal e a possibilidade de usar “bull bars” como fatores que ajudam à robustez em pisos tão severos. Há quem brinque com a possibilidade de ver “um Rally2 no pódio” e até “um vencedor absoluto” se o ritmo de desistências se mantivesse.
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Paralelamente, as discussões sobre os regulamentos de 2027 estão muito presentes. Alguns adeptos lamentam a perspetiva de despedida dos atuais Rally1, dizendo que os Rally2 “parecem dolorosamente mais lentos” nas imagens exteriores, e temem uma quebra de espetáculo. Outros mostram‑se mais otimistas, acreditando que, tal como sucedeu na transição do Grupo A para os WRC, a nova geração acabará por recuperar desempenho à medida que a tecnologia evoluir.

Cobertura televisiva alvo de críticas
Apesar do entusiasmo com a ação em pista, a transmissão televisiva do rali é alvo de críticas quase unânimes. Muitos assinantes queixam‑se de “cobertura tremenda­mente má” em troços chave, com longos períodos em que o direto se reduziu a comentários em estúdio sobre imagens repetidas de animais e paisagem, sem carros na estrada. “Sinto‑me roubado, parecia um documentário do Discovery sobre rinocerontes”, ironiza um fã, enquanto outro admite estar a piratear o serviço e “mesmo assim sentir-se roubado”.
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Há quem reconheça as limitações técnicas impostas pela chuva intensa e pela topografia do Quénia, mas a frustração é evidente, com perguntas sobre que soluções técnicas poderiam ser exploradas para evitar que uma “das provas mais espetaculares do calendário” se transforme, no ecrã, “num programa de rádio com imagens de arquivo”.
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Katsuta, a nova cara de um Safari que os adeptos não querem perder
No balanço final, os adeptos convergem em dois pontos essenciais: a vontade de manter o Safari no calendário e a perceção de que a vitória de Katsuta é um momento de viragem na narrativa recente do WRC. “Este campeonato precisa de uma ou duas provas verdadeiramente hardcore, que levem carros e pilotos ao limite da resistência”, resume um comentário muito valorizado pela comunidade.
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A figura do japonês emerge, assim, como símbolo desse equilíbrio entre modernidade técnica e espírito de aventura: um piloto que, depois de anos de erros e frustrações, resistiu ao caos mecânico, geriu a pressão e acabou por vencer o rali “mais brutal” da época. Um adepto sintetiza o sentimento geral: “Os deuses das corridas queriam mesmo que o Taka ganhasse. E, desta vez, ele esteve à altura”.
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Tags: Rali Safari
José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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