Ricardo Teodósio teceu duras críticas à estrutura e organização da prova, lamentando a degradação extrema dos troços e os horários desajustados que forçaram os pilotos do Campeonato de Portugal de Ralis (CPR) a competir durante a noite. O piloto algarvio afirmou não ver vantagens na inserção do CPR em provas de dimensão europeia, apontando a disparidade de orçamentos e sublinhando que as equipas nacionais acabam prejudicadas e tratadas como participantes de um rali “regional”.
AutoSport: um dia que termina já muito tarde. Que balanço fazes?
Ricardo Teodósio: “Não foi um dia nada bom. Começando pelo facto de termos ficado mais para trás na ordem de partida por não nos termos inscrito no Europeu. Partimos atrás dos carros de duas rodas motrizes, cinco minutos depois do último carro. Essa parte eu entendo, por uma questão de segurança e para não apanharmos o pó do carro da frente. Mas depois apanhámos troços muito maus. O de Ribeira de Pena estava em muito mau estado; o outro também estava bastante degradado. Já Cabeceiras de Basto estava bom e o último, lá em cima, em Boticas, também não estava mau.
Além disso, acabámos de noite, o que não tem lógica nenhuma. O reagrupamento durante o dia, que durou entre uma hora e uma hora e meia, podia perfeitamente ter sido resolvido em dez minutos. Passávamos na mesma por Cabeceiras de Basto, o público via os carros e seguíamos viagem. Da forma como as coisas estão, eu e os meus colegas parecemos estar a correr num rali «regional». O CPR parece não fazer parte do resto do evento. Sinceramente, mais valia esta prova não contar para o CPR, à semelhança do que acontece com as provas do Campeonato do Mundo.”
AutoSport: Não vês vantagem nenhuma em estar inserido em provas grandes?
Ricardo Teodósio: “Não vejo vantagem, porque sofremos muito. Apanhamos as estradas totalmente degradadas e nós somos, entre aspas, equipas “pequeninas”. Não temos os orçamentos das equipas da frente, pelo que não podemos andar a “voar” da mesma maneira que eles. E depois, falando por mim: já tenho 50 anos, não tenho 20. Já pondero muito mais as coisas do que quando era mais novo.”
AutoSport: E também já não aceitas tanta coisa como aceitavas aos 20 anos?
Ricardo Teodósio: “Claro que não. Para piorar, ontem comecei com dores no pescoço e na omoplata direita. Ainda fui ao massagista para tentar melhorar um bocadinho a condição física. Ajudou, mas hoje acordei às cinco da manhã com uma dor no pescoço tão forte que até me custou a levantar da cama. Pouco depois das seis da manhã, fui tomar um banho de água quente com o chuveiro forte para tentar aquecer a zona e aliviar a dor. Melhorou, mas repara: estou de pé desde as seis e meia da manhã…”
AutoSport: E já são oito da noite.
Ricardo Teodósio: “Exato, são oito da noite. Chegamos aqui e ainda temos de ficar 30 minutos à espera na zona técnica. Depois, vamos para a assistência e ficamos lá mais 45 minutos.”
AutoSport: Vais chegar tarde ao hotel…
Ricardo Teodósio: “Exatamente. E amanhã o dia começa outra vez muito cedo. Hoje fizemos imensos quilómetros.”
AutoSport: Para amanhã estás, pelo menos, mais animado?
Ricardo Teodósio: “Amanhã vamos ter troços de que gosto e que, até ver, estão em bom estado. Claro que, depois de passarem os concorrentes da frente, quando chegar a minha vez as estradas de certeza que já vão estar desgraçadas. Mas, pelo menos, são classificativas da minha preferência e que conheço melhor do que as de hoje. Vamos ver se me consigo divertir um bocadinho amanhã.”








