“-Chegou! Chegou! Chegou!” Com a voz já bastante rouca, o repórter da Renascença anunciava efusivamente a chegada de Sébastien Loeb ao final do troço de Arganil. Ganhara 5 segundos a Mikko Hirvonen e ascendia ao comando do Rali de Portugal. A prova estava ao rubro…
Para os muitos milhares de espetadores que seguiam a prova, o aceso duelo entre Citroen e Ford premiava a resistência ao frio, ao pó e às longas horas de espera junto à fogueira. O Vinho e as febras ajudavam a passar o tempo e o espírito com que os homens da GNR aceitavam as pequenas provocações que lhes eram destinadas, conferia um tom festivo ao espetáculo.
Loeb foi o mais rápido na ronda de Sintra. Bateu os recordes na Peninha e em Sintra, mas ficou a 1 segundo da histórica marca de Henri Toivonen na Lagoa Azul. O Francês dominou a primeira etapa, vencendo ainda na Serra da Boa Viagem.
Fafe-Lameirinha abriu as hostilidades no segundo dia. Loeb voou mais alto na primeira passagem, mas Hirvonen recuperou na segunda, mesmo não evitando um toque na descida do Confurco. Ambos os pilotos furaram no demolidor piso da Serra da Cabreira, onde um surpreendente Henning Solberg acabou por obter o melhor tempo.
Seria a derradeira etapa a definir o vencedor do Rali de Portugal. Hirvonen e Loeb encontravam-se separados por apenas 3 segundos. A expectativa era grande e região de Arganil seria uma vez mais o palco da decisão. Faltavam ainda 12 horas para a partida dos primeiros e já a Serra do Açor começava a ganhar o colorido dos cobertores. Pouco depois das 5 horas da madrugada, parte Hirvonen e depois Loeb. O piloto da Citroen foi cinco segundos mais rápido que o Finlandês e passou para a liderança. Na segunda passagem, Sebastien Ogier foi o mais rápido e Loeb perde um segundo para Hirvonen.
Faltavam disputar as classificativas da Candosa e Lousã. Depois, …bem, depois o despertador tocou…
Acabava assim o sonho que, durante breves instantes, devolveu os melhores pilotos do mundo aos lendários locais que acompanharam o crescimento do Rali de Portugal.
Hoje em dia, esta história não passa de mera ficção. O Rali mudou-se para sul e começa a ganhar o seu próprio espaço nas Especiais algarvias. Não é melhor, nem pior, mas antes diferente, e por isso, não há que fazer qualquer comparação entre o novo e o velho Rali de Portugal. É possível vibrar com a versão de hoje e ter saudades de palmilhar os locais de ontem. No fundo, nutrir uma paixão pelo “Deltona”, é perfeitamente compatível com as saudades do roncar do Stratos.
Apesar de tudo, os caminhos que fizeram a história do Rali de Portugal, não merecem ficar órfãos da competição automóvel. Por esse motivo, continuo a alimentar o sonho de que um dia, se voltem a acender fogueiras nas florestais de Arganil…
Nuno Branco
FOTOGALERIA: Rali de Portugal 1967-1979
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FOTOGALERIA: Rali de Portugal 1999
FOTOGALERIA: Rali de Portugal 2000
FOTOGALERIA: Rali de Portugal 2001
FOTOGALERIA: Rali de Portugal 2007
FOTOGALERIA: Rali de Portugal 2009










