Depois de sair da equipa Symtech (a qual ajudou a sagrar-se campeã do Mundo de Produção em 2011 com Hayden Paddon) no final de 2013, Rui Soares criou a sua própria empresa, a flatRS e apostou no Mundial de Rallycross com a equipa da Monster Energy, inicialmente com K. Skorupski, depois com D. Jeanney e, no final da época com Henning Solberg.
Mas o engenheiro, que antes de se internacionalizar fez escola da equipa ARC Sport, nunca perdeu a esperança de tentar perceber o que sentiam os pilotos a que normalmente dá assistência, estreou-se no último fim de semana, no Rali de Aguiar da Beira, onde foi quinto classificado.
A sua curiosa história é um bom exemplo de que ‘querer é poder’.
Conforme dá conta, “o projecto que agora ‘conclui’ no Rali de Aguiar da Beira nasceu em 2010 quando comprei um Subaru de estrada. Depressa decidi convertê-lo para rali para concretizar o meu sonho de fazer um rali com o meu pai e com um carro feito por mim. Desde janeiro de 2011 ‘colecionava’ peças e ferramentas que me permitissem concluir a construção do carro a tempo de um Rali de Aguiar da Beira, o nosso rali da terra (sendo eu natural de Sernancelhe e residente em Aguiar). Este verão montei o carro e no sábado (antes do rali) acabei o que faltava fazer, mas não foi possível fazer nenhum teste. Tínhamos quatro pneus DMACK duros do Mundial de 2012 e um carro de série excepto os travões. A primeira vez que o carro rodou foi na ligação para o primeiro troço pelo que a preparação não foi, de longe, a esperada…”
Depois, durante a prova, “partimos um apoio da caixa no arranque para o primeiro troço que por sua vez rachou a coloche e começamos a perder óleo da caixa. Na tentativa de reparar o problema na assistência penalizamos e a solução foi mesmo meter óleo nas ligações todas para terminar o rali. A caixa acabou mesmo por ceder ao entrar no parque fechado final pelo que tivemos muita sorte mesmo. Mas, apesar de tudo, a diversão dentro do carro foi constante mesmo com o pai sempre com a responsabilidade de ‘segurar’ o filho. Para a assistência contei com dois amigos belgas e dois amigos espanhóis que vieram aproveitar para conhecer Portugal e que sem eles não tinha sido mesmo possível acabar este carro a tempo e horas”.
Ficou, claro está, o ‘bichinho’ para continuar e agora “é rever tudo e tentar evoluir o carro um pouco ao nível de transmissão e suspensão, para voltar a fazer o rali para o ano”.
Sim, porque entretanto, é preciso regressar ao trabalho e, neste caso… ao Mundial de Ralis, claro está, novamente como engenheiro. Em que equipa? Em breve saberemos…






