Markku Alen esteve no Algarve no âmbito de um evento da FIAT no Autódromo do Algarve e como não podia deixar de ser não perdeu a oportunidade de ver o Vodafone Rally de Portugal na estrada, experienciando de fora o que muitas vezes viveu por dentro. Num dos poucos momentos em que passou pelo Parque de Assistência, falámos com ele, depois de comprovar que tem um lugar reservado no coração dos adeptos portugueses, que não pouparam palavras simpáticas sempre que com ele deparavam: “Tenho muito boas recordações de Portugal, e não só das minhas cinco vitórias. As pessoas são muito calorosas, sempre fui muito bem tratado em Portugal” começou por dizer o ex-piloto que continua, pelo menos por mais dois anos, como o recordista de vitórias no Rali de Portugal, cinco.
Fomos saber o que acha dos pilotos de hoje: “Há três ou quatro pilotos bons, mas dos outros não digo nada! No meu tempo havia imensos pilotos com ‘killer instinct’ e quase uma dezena que podiam vencer ralis, mas hoje em dia não é assim. As coisas mudaram muito a esse nível. Há o Ogier, mais dois ou três e mais nada…” começou por dizer antes de fazer um paralelo entre os ralis do seu tempo e de hoje: “As coisas mudaram muito, basta ver onde estamos – ndr, Motorhome da Volkswagen – Hoje é tudo mais profissional. Quer dizer, na altura éramos profissionais, mas as coisas eram totalmente diferentes. Hoje temos estes edifícios, e no meu tempo as assistências eram na estrada. As coisas evoluíram muito e isso é bom para os ralis. Temos mais construtores a vir para o WRC e isso também é bom sinal”, referiu Alen que faz no entanto uma ressalva: “Há coisas que não se deviam ter perdido. Por exemplo, quando alguém via uma ópera e ouvia cantar o Pavarotti, nunca iria gostar que aquele som se alterasse para pior e nos desportos motorizados estão a menosprezar essa questão. Estão com problemas na Fórmula 1, e uma das boas características dos carros do meu tempo era o som. Era possível identificar quem lá vinha só pelo som e isso também marcava as pessoas, mas hoje isso não sucede pois os carros soam todos ao mesmo”, disse.
Numa altura em que muito se discute o Rali de Portugal no Norte ou no Sul, lançámos o desafio: “Estive nesta zona com o Lancia Delta S4, no Rali do Algarve e lembro-me que havia troços muito giros. Os de agora não conheço, mas de Arganil e Fafe lembro-me bem, vivi lá grandes histórias. Enfim, penso que é importante ter muito público, é bom para as marcas e também para os pilotos, mas desde que haja bom controlo do público. Acho que é muito importante haver muita gente na estrada a ver os pilotos” referiu Alen que terminou com a sua melhor recordação de Portugal: “Qualquer uma das cinco vitórias é boa, claro, mas destaco a primeira, era um jovem a afirmar-se nos ralis e soube-me muito bem. Nunca a esquecerei.” É sempre bom vê-lo por Portugal, Sr. Markku Alen…









