O Rali da Suécia não gorou as enormes expectativas criadas com esta segunda geração de World Rally Cars, embora o que muitos insistem em chamar de ‘revolução’ não é mais que uma ‘evolução’. É verdade, os carros são novos, mas novos protagonistas, não houve, só algumas surpresas, positivas e negativas. A boa, Mads Ostberg, um piloto que há muito anda pelo WRC, apesar de ter só 23 anos. A menos boa, Sébastien Loeb, muito apagado na Suécia, mas a prometer que no México vão ter de contar com ele.
De resto, os suspeitos são os do costume, voltando a juntar-se na linha da frente nomes como Loeb, Hirvonen, Ogier, Latvala e Solberg. Num saudável conflito de gerações, será que já há espaço para uma nova dinastia, pós-Loeb, nascer? Apesar do que se viu na Suécia, com o claro domínio da Ford é cedo para “cantar de galo”. Talvez Mads Ostberg tenha dado o pulo que lhe falta para se juntar aos “Famous Five” (Loeb, Ogier, Hirvonen, Latvala e Solberg), mas isso o norueguês terá de confirmar nas próximas provas, sendo para já demasiado cedo para o afirmar. A Suécia é um rali demasiado específico para tirar essa conclusão. A verdade é que quase tudo jogou a favor de Ostberg.
Não é a primeira vez que o Mundial de ralis dá um passo atrás (na transição de 1986 para 1987 foram dados vários passos atrás) mas a verdade é que a entrada em cena dos novos WRC equipados com motores 1,6 l turbo de injeção direta, menos potentes, mais limpos e, presumivelmente, até mais económicos, o Mundial ganha em espetáculo. Isso já não há dúvida depois do que se viu na prova sueca.
Todos os principais protagonistas do campeonato são unânimes em considerar que os novos carros têm outra sonoridade, são mais difíceis de guiar e proporcionam momentos mais espetaculares na estrada, que é como quem diz, tem todos os ingredientes para voltar a empolgar o público.
Em vez de C4 e Focus, há DS3 e Fiestas nas versões WRC e, a meio do campeonato, chega um novo peão ao tabuleiro de xadrez, chamado BMW MINI Countryman com o objetivo de ressuscitar um mito adormecido e abanar o status quo. Tudo somado, não haverá mais do que dois construtores e meio a disputar a época de 2012, mas isso já é melhor do que nos últimos anos, onde Citroën e Ford dividiram o protagonismo. E, as melhores notícias nem são essas. Se as melhores expectativas se confirmarem e os custos não se descontrolarem, a próxima época desbravará o caminho para que a VW e outras marcas possam aterrar neste palco. Rumores há muitos, e se a VW já é ponto mais ou menos assente, restam dúvidas se a Toyota não irá enveredar pelo menos caminho.
Loeb ainda favorito?
Num campeonato pago pelo envolvimento das Marcas, mas onde são, sobretudo, os pilotos a tirar partido da popularidade, 2011 é encarado por muito como uma espécie de Novo Testamento, na Bíblia do WRC. Mais do que a da derradeira oportunidade para a salvação da Ford, é uma hipótese de ouro para a equipa liderada por Gérard Quinn e Malcolm Wilson, bater a sua rival Citroën. As coisas correram bem na Suécia, mas o Rali do México é bem mais propício para permitir outras conclusões. Basta olhar para o palmarés para se perceber que a Ford não perde o Rali da Suécia desde 2006. Já o Rali do México, se ‘der’ Ford é significativo, pois Loeb vence a prova desde 2006. O Rali de Portugal será, provavelmente a prova que melhor nos vai dizer o que poderá ser o resto do Mundial de Ralis em 2011.
Quem tem mais pressão?
Com regulamentos novos, partir em igualdade de circunstâncias é um trunfo, mas a confirmar-se a tese de que o Fiesta nasceu pior que o DS3, o que para já não parece nada, dado o quer se viu na Suécia, então em vez de um problema, a marca oval terá dois pois ser-lhe-ão ‘cobrados’ juros do trabalho improdutivo realizado e que chegou a prejudicar a corrida ao título no último ano quando a M-Sport deixou de se concentrar no desenvolvimento do Focus para queimar todos os neurónios com o novo Fiesta.
A pressão é pois menos intensa na ultra-vitoriosa Citroën. Se, no final do ano, o DS3 não for o carro a bater, Olivier Quesnel poderá sempre dizer que não se pode ganhar para sempre, o que não sendo uma inverdade, não justificará os meios colocados à disposição da poderosa equipa no seu 13ª ano de participações a nível oficial.
Mas, não é novidade para ninguém que os carros são apenas uma parte da equação. Pela experiência dos últimos anos, há mais duas. Uma chama-se ‘Sébastien Loeb’ e a outra é “os restantes pilotos!”. Pelo peso dos sete títulos que carrega nas costas, Loeb coloca novamente a braçadeira de ‘favorito’ no braço, mas é de esperar que o seu colega de equipa ‘Baby Sébastien’ Ogier lhe possa dar bem mais trabalho do que Dani Sordo deu nos últimos cinco anos. Com Petter Solberg (DS3) com via verde para lutar pelas vitórias, mas sem ambições de chegar ao título por falta dum programa completo, fica para Mikko Hirvonen e Jari-Matti Latvala a responsabilidade de quebrar a monotonia do Mundial. Para já começaram bem…
Se Hirvonen pretende vingar o desastroso ano de 2010 e o título que lhe escapou por uma unha negra em 2009, Latvala está mais apostado do que nunca em ganhar a primazia dentro da equipa, somar mais algumas vitórias e estar no sítio certo, na altura certa, quando for para encerrar as contas do título. Mas, se há ano em que acertar no vencedor final é como dar um tiro no escuro, esse ano é 2011. Por tudo isto, este ano espera-se uma colheita ‘vintage’ no Rali de Portugal.









