Recebi de um antigo fotógrafo da nossa ‘praça’, o Paulo Pacheco, uma fotografia – a que ilustra este artigo – em que se vê um fotógrafo credenciado deitado no chão a fotografar no Rally Fafe Montelongo. Conheço perfeitamente a zona, é ali na zona de terra que começa o troço de Luílhas do Rali de Portugal, sei de onde vinham e que trajetória fizeram os carros do Rally Fafe Montelongo.
É uma zona rapidíssima, e como se vê na foto ao lado, os carros tendem a alargar trajetória para fazer a longa esquerda que se segue.
Não é possível que alguém fotógrafo, a não ser que seja “correspondente de guerra”, passe a ironia e fique a ideia, se arrisque daquela forma para fazer uma foto. Se acontece algo inesperado, e o azar bate à porta, é morte certa. Não faz qualquer sentido.
O segundo fotógrafo está agachado. Não é muito diferente. Se precisar de fugir rapidamente, em vez de dar um passo, tem que se levantar primeiro. Pelo que se percebe, estes dois senhores estão credenciados. Nem sei que dizer de quem se expõe assim. Na mensagem que recebi do Paulo Pacheco, coloco aqui algumas linhas de alguém muito experiente que tem mais de 30 anos ‘disto’: “tenho seguido alguns ralis do lado de fora e o que vejo é uma vergonha”; “muitos deles nem sabem o que estão ali a fazer”; “Algo está mal neste meio, pois isto nunca foi assim”.
É verdade que por vezes quem está a trabalhar tem que arriscar um pouco mais do que um simples espetador que se pode proteger minimizando ao máximo o risco de “levar com um carro em cima”, mas há limites para tudo e ninguém que tenha a cabeça no sítio quererá lidar com as possíveis consequências de um “azar qualquer”.
É bom que quem de direito se comece verdadeiramente a preocupar-se com isto, antes que algo que ninguém quer, aconteça. Tenho 30 anos ‘disto’, também já andei muitos anos de máquina fotográfica na mão, e a primeira coisa que se aprende é que primeiro que tudo está a segurança.
Meus Senhores, por vezes o AutoSport procura jornalistas de desporto automóvel e não os encontra. Tendo em conta que anda tanta gente para aí com uma “paixão desmedida”, troquem a máquina pelo teclado, apliquem o mesmo entusiasmo à ‘causa’ e o futuro do jornalismo escrito de ‘motores’ está assegurado…
Se não querem ligar às minhas palavras, pelo menos liguem ao que diz o Paulo Pacheco, um fotógrafo com muitos anos de desporto motorizado em Portugal: “Nos últimos tempos tenho seguido alguns ralis do lado de fora e o que vejo é uma vergonha, pois qualquer um tem uma credencial e é fotógrafo. Muito deles nem sabem o que estão ali a fazer, como assisti a uma conversa entre dois pseudo fotógrafos num troço de Chaves.
Algo está mal neste meio, pois isto nunca foi assim. Envio-te uma foto do rali de Montelongo onde se vê a incúria de quem tem uma credencial e está a fotografar deitado no chão e o carro a poucos metros. Vergonha de quem tem uma credencial e não sabe o que anda a fazer.
Abraço, Paulo”










