José Pedro Fontes e Inês Ponte, ao volante do Lancia Ypsilon Rally2 HF Integrale, não conseguiram replicar o pódio alcançado no Rali de Lisboa, mas demonstraram um esforço notável no Rali da Água, pressionando Guilherme Meireles até ao fim. A dupla iniciou a prova na quinta posição, mas um incidente no derradeiro troço de sexta-feira, a terceira passagem por Chaves, revelou-se decisivo. Três furos fizeram-nos cair seis posições, para fora do top 10, a quase um minuto e meio da liderança.
No sábado, a equipa aumentou o ritmo de forma consistente, recuperando posições e vencendo o antepenúltimo e último troço, a Power Stage, para terminar o rali a apenas 8,6 segundos do pódio.
Desafios e aprendizagens com o novo Lancia
José Pedro Fontes refletiu sobre a prova e os desafios da adaptação ao novo carro. “Em primeiro lugar, acho que quando acontecem os azares temos de estar agradecidos por fazer o que gostamos. A minha preocupação era conseguir chegar à assistência para no dia seguinte poder andar depressa e divertir-me”, afirmou.
O piloto reconheceu que o rali foi difícil e que a equipa continua a conhecer o Lancia. “Os furos impediram uma melhor classificação no rali, mas ainda assim penso que não estivemos bem na sexta-feira com a afinação do carro. No sábado, o carro esteve bastante melhor. Permitiu-nos forçar o andamento, tentar sempre perceber o que poderíamos fazer. No final, puxámos bastante, queríamos os três pontos da Power Stage. De resto, continuamos a tentar que acabem os azares que temos tido nos ralis”, disse Fontes.
Questionado sobre a complexidade de desvendar os segredos de um carro novo, Fontes explicou: “É uma pergunta difícil de responder. Acho que o grande problema passa pelo facto de virmos de oito anos de um carro Stellantis Citroën; ainda pensamos nos ralis com base na experiência desses oito anos, e o Lancia é de facto bastante diferente.”
O piloto português detalhou a evolução nas afinações: “No Rali de Lisboa errámos no início, com as afinações, mas aqui, no primeiro dia, não tanto, mas ainda assim não estava como eu gosto. Na Madeira estava, de facto, bastante bom e permitiu-nos perceber o caminho a seguir. É assim, num campeonato onde há bons carros, equipas e bons pilotos, ou se tem tudo perfeito, ou perto disso, ou ganhar torna-se difícil.”
Fontes salientou a diversidade dos carros Rally2: “Os Rally2 podem fazer tempos muito semelhantes, são parecidos em andamento, mas todos têm feitios diferentes. E depois cada piloto adapta-se melhor a um tipo de carro do que a outro. Não quer dizer que seja o melhor carro, ou o melhor piloto, é como é. Vemos na Fórmula 1 grandes campeões do mundo que, num ano em que o carro tem um determinado comportamento, eles não se adaptam.”
Adaptação e confiança em prova
Sobre o Lancia, José Pedro Fontes revelou uma preferência pessoal: “Este carro, para o meu estilo de condução, gosto bastante mais do que o Citroën, mas tenho de encontrar e saber em cada rali exatamente o que precisamos. Na sexta-feira não entrámos bem, tivemos uma pequena saída de estrada no primeiro troço que nos fez perder ali um ou dois segundos, e perdemos alguma confiança no sujo.”
A adaptação às condições da prova foi crucial para a recuperação. “No sábado tentámos fazer um carro adaptado a essas condições. Com três passagens no mesmo sítio, os troços ficam bastante sujos, e o carro funcionou muito bem, o que resultou em tempos com alguma tranquilidade. Agora (na Power Stage) puxámos, era importante os três pontos e puxámos”, concluiu.
Por fim, José Pedro Fontes fez questão de felicitar o adversário: “Parabéns ao Guilherme Meireles, é um jovem valor que conheço desde miúdo. Tentei meter-lhe toda a pressão, mas ele aguentou-se. É bom haver novos valores a aparecer.”











