São já conhecidas as ‘notas’ finais dos primeiros quatro relatórios das provas do Campeonato de Portugal de Ralis, o Rali Terras d’Aboboreira, Rali de Portugal, Rally de Lisboa e o Rali de Castelo Branco.
Como se sabe, a avaliação e a auditoria das provas do Campeonato de Portugal de Ralis (CPR) são efetuadas pela Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK) através de uma estrutura tripartida de relatórios detalhados. Os documentos — que incluem os relatórios do Delegado de Segurança, do Delegado Técnico e do Observador — recorrem a uma escala de classificação padronizada de 1 a 5, onde o nível 3 atesta que as exigências standard foram cumpridas, o 1 representa um desempenho inaceitável e o 5 distingue um nível excelente e inovador.
O Rali Terras d’Aboboreira recebeu 473 pontos, o Rali de Portugal, 659, o Rally de Lisboa 405 e o Rali de Castelo Branco, 516. Claro que este números dizem muito, mas sem conhecer o detalhe dos relatórios, é impossível tirar conclusões.
Sabe-se que o peso relativo da parte da Segurança é maior, por motivos óbvios, o relatório do Observador vem logo a seguir, com imensos itens analisados e por fim a parte técnica, que tem menos peso, mas os números finais espelham logicamente a análise global, e por isso, mesmo sabendo-se publicamente de pormenores que correram mal – como exemplos podemos dar o reboque e o carro civil que entraram no troço de Arganil, no Rali de Portugal, as críticas públicas ao Rally de Lisboa e à questão de segurança do Rali de Castelo Branco, quando um carro entrou em sentido contrário num troço.
Tirando isso, só os três observadores, que tratam apenas da parte que lhes diz respeito, sabem o que pontuaram, e claro, a FPAK que agrega tudo isto. Os organizadores recebem os relatórios dos observadores, ficam a conhecer em detalhe o seu relatório, mas publicamente este documento não é conhecido. Isto significa que tentar analisar os números publicamente é pura especulação.
‘Diabo está nos detalhes’
Sabendo-se que estes relatórios têm forte impacto quando chegar o momento de delinear o próximo calendário, o que fica por saber é se tem uma relação totalmente direta, ou existirão sempre outros fatores que possam pesar na escolha das provas.
Por outro lado, existindo quem defenda que os relatórios deviam ser públicos, ao mesmo tempo que as classificações, é fácil perceber que as provas que se realizam mais cedo no calendário, teriam alguma desvantagem porque quem vinha a seguir poderia ‘aprender’ e colocar maior atenção em pormenores que pudessem estar a ter menos dessa atenção.
O que ninguém duvida é que esta medida da FPAK coloca muito maior pressão nas organizações, e isso redunda em melhores provas, porque sem escrutínio é muito mais fácil ‘aligeirar’.
Os relatórios são uma medida muito positiva, mas publicamente, olhar para os valores onde o Rally de Portugal se destaca de forma clara com 659 pontos, o Rali de Castelo Branco e Vila Velha de Ródão aparece bem mais atrás, com 516, seguido pelo Rali Terras D’Aboboreira com 473 e por fim o Rally de Lisboa com 405 pontos, questionarmos o que significam realmente estas diferenças, sem relatórios detalhados, ninguém consegue responder com rigor, exceto a FPAK, claro.
Os essencial dos três relatórios
Resumindo um pouco do que é feito, o Relatório do Delegado de Segurança foca-se na prevenção de riscos e na integridade de pilotos e espetadores. Este documento analisa minuciosamente a documentação prévia, como o Plano de Segurança e o Road Book.
No terreno, avalia o desenrolar do rali, focando-se no comportamento e quantidade de marshals (comissários de pista), na sinalização das Provas Especiais de Classificação (PEC), nas chicanes, na segurança dos pontos de rádio e no controlo dos acessos. É também inspecionada a eficácia da caravana de segurança, o sistema de tracking dos concorrentes e a prontidão das equipas médicas e dos bombeiros.
Já a vertente da conformidade desportiva e mecânica fica sob a responsabilidade do Delegado Técnico. O respetivo relatório incide com rigor sobre as Verificações Técnicas Iniciais e Finais, inspecionando se os locais dispõem de equipamentos adequados (como elevadores e balanças) e se os acessos estão protegidos contra o público.
São igualmente auditadas a Zona de Controlo de Peso, as áreas de Parques Fechados e a marcação de pneus.
O documento avalia de forma direta o número, a pontualidade e a competência dos Comissários Técnicos, garantindo a equidade e a legalidade da competição.
O Relatório do Observador funciona como uma auditoria transversal a toda a organização da prova. Além de monitorizar o cumprimento rigoroso dos prazos de envio de mapas e regulamentos, avalia as infraestruturas do Secretariado, da Direção de Corrida e do Parque de Assistência. O Observador analisa ainda o desempenho dos Oficiais e recolhe o feedback dos concorrentes sobre os road-books. Atualmente, este documento integra parâmetros modernos de Sustentabilidade Ambiental, verificando a gestão de resíduos, a proteção dos solos contra derrames e a sensibilização ambiental. Avalia-se também a componente Ética (registo do “Cartão Branco”) e compilam-se dados estatísticos sobre os custos e efetivos das forças de segurança (GNR/PSP), bombeiros e hotelaria, de modo a medir o impacto económico e social do evento.










